Valor Econômico, Política, p. A13
14 de Nov de 2013
Marina acusa presidente de conivência com desmatamento
Para ex-ministra, Código Florestal interrompeu queda no índice
Por Fernando Taquari
De Campinas (SP)
A ex-senadora Marina Silva (PSB) acusou ontem o governo Dilma Rousseff de ser conivente com o aumento do desmatamento no Brasil. O número oficial deve ser divulgado até o fim deste mês, mas o Ministério do Meio Ambiente estima que entre agosto de 2012 e julho deste ano, quando se encerra o ano-base para o cálculo, houve um aumento de áreas devastadas em relação ao período anterior de 20%. "Mas (a ONG) Imazon está dizendo que é muito mais (92%). E dentro de terras públicas, que deveriam estar sendo cuidadas pelo governo, que mudou a lei. Ou seja, a grilagem voltou a acontecer", afirmou Marina após conceder palestra na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no campus de Campinas (SP).
Caso confirmadas, as projeções vão interromper um ciclo de quatro anos de queda nos índices de desmatamento. A ex-senadora disse que governo e o Congresso são responsáveis pela devastação, uma vez que, mesmo com alertas de ambientalistas, classificados na ocasião de ecoterroristas, os dois poderes patrocinaram as principais mudanças no Código Florestal, como a legalização de áreas que haviam sido desmatadas. "Não tinha aquele slogan 'planta que o João garante'? Então, agora é faça a invasão de terras que vão garantir a legalização dessas terras desmatadas ilegalmente. Não é omissão. É conivência", declarou Marina, acrescentando que o novo Código Florestal representa mais "um dos retrocessos" do governo.
Cotada como uma das presidenciáveis na eleição de 2014, a ex-senadora ironizou a declaração do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, que acusou seu grupo político de praticar um ambientalismo conservador. O "ambientalismo progressista" do governo federal, disse ela, fez o Brasil andar para trás em algo que já era celebrado como um grande ganho. "Antes da aprovação do projeto [do Código Florestal], tivemos o menor desmatamento da Amazônia", lembrou Marina. Os números referentes ao período entre 2011 e 2012 mostram que devastação registrou mínima histórica desde 1988, com a supressão de 4,57 mil quilômetros de floresta.
Durante a palestra, para cerca de 150 pessoas, a maioria estudantes, a ex-senadora já havia enaltecido seu papel como ambientalista e criticado o governo Dilma pelo retrocesso na área nos últimos anos. "Feito em 2004, o plano de combate ao desmatamento reduziu a devastação em 80%. Infelizmente, tanto fizeram que mudaram a lei porque não conseguiam mudar o plano", disse Marina ao recordar o período em que foi ministra do Meio Ambiente, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Foi a sociedade brasileira que deu sustentação para [o plano] ser mantido em 2008, quando queriam que nós saíssemos do governo para revogá-lo. No atual governo mudaram a lei e voltou a grilagem e o aumento do desmatamento. Isso é sacrificar os recursos de milhares de anos pelo lucro de apenas algumas décadas".
Sobre a união com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), repetiu que o correligionário continua como nome do partido para concorrer à Presidência na eleição de 2014. Frisou, no entanto, que o próprio Campos deixou em aberta a escolha para o próximo ano. Especula-se a hipótese de Marina assumir a cabeça da chapa caso o governador não decole nas pesquisas. Ela aparece à frente nos últimos levantamentos. Diante do cenário de incerteza, a ex-senadora colocou mais lenha na fogueira ao ressaltar que ainda não concluiu a aliança eleitoral do Rede Sustentabilidade com o PSB.
"Fizemos uma aliança programática. Ainda não é uma aliança eleitoral. Se prosperamos no programa e na forma como o programa será implementado, teremos uma aliança eleitoral", disse. Além disso, reafirmou que a filiação ao PSB é transitória na medida em que continua militante e principal porta-voz do Rede, que ainda não conseguiu o registro na Justiça Eleitoral. "Estamos aprofundando essa aliança programática", concluiu a ex-senadora, acrescentando que os dois partidos ainda farão mais quatro encontros regionais para afinar o discurso.
Valor Econômico, 14/11/2013, Política, p. A13
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