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Mapa de riquezas do solo ajuda a combater aquecimento global

O Globo, Ciência, p. 32
05 de mar de 2009

Mapa de riquezas do solo ajuda a combater aquecimento global
Brasil participa de projeto internacional que aprimora agricultura

Carlos Albuquerque

Um ambicioso e inédito projeto pretende trazer à tona as mais variadas informações que se escondem na terra. Tocado por um grupo internacional de cientistas, o Mapeamento Global dos Solos vai identificar, num prazo inicial de cinco anos, as propriedades e características de solos de todos os continentes, extraindo valiosos dados sobre reservas de água, nível de erosão, quantidade de nutrientes e reservas de carbono.
Todas essas informações ficarão disponíveis, posteriormente, em um banco de dados na internet, aberto a consultas. O trabalho - que toca em dois dos maiores desafios da Humanidade: o combate à fome e a luta contra o aquecimento global - vai ter a participação do Brasil, através da Embrapa.

- A importância desse projeto é imensa, já que ele vai trazer, de maneira extremamente detalhada, informações sobre solos do mundo inteiro, inclusive do Brasil - explica a pesquisadora Maria de Lourdes Mendonça, representante do Brasil no projeto. - Com esses dados, poderemos, entre outras coisas, lutar contra a fome no mundo, já que teremos como indicar os solos mais favoráveis à produção de alimentos, favorecendo a tomada de decisões por partes das autoridades.

A meta inicial do projeto é que, nesses primeiros cinco anos, cerca de 80% dos solos do planeta estejam mapeados, num trabalho que vai contar com a mais recente tecnologia disponível.

- Vão ser usados sensores dos mais modernos, além de dados de campo, que, somados ao que já se conhece sobre os solos mundiais, darão um apurado panorama - conta a pesquisadora. - Dessa forma, por exemplo, poderemos mapear, com precisão, numa resolução de 90m por 90m, solos com ph muito alto, que são desfavoráveis à produção de alimentos. Um ministro da agricultura poderá acessar esses dados e decidir investir em outras áreas, economizando tempo e dinheiro.

Até então, o que tínhamos sobre solos era uma informação estática, baseada apenas em dados há muito compilados.

No país, mapeamento começa pelo Cerrado
Uma primeira parte do projeto já está em andamento, na África, na bacia do rio Victoria, o segundo maior do mundo, num investimento de US$ 18 milhões, financiado em parte pela Fundação Bill Gates.

- A África foi escolhida para ser uma espécie de referência para o projeto, já que a produção de alimentos ali é uma prioridade - diz a pesquisadora da Embrapa. - Outros lugares tem outras prioridades. Na Europa, é a contaminação dos rios e lagos. Já na Austrália, é o déficit de água.

No Brasil, a área escolhida para dar início ao projeto foi o Cerrado, onde serão analisados, em particular, a erosão e a degradação ambiental dos solos da região.

- O Cerrado tem um solo quimicamente pobre, mas que pode ser corrigido com irrigação e o uso adequado de fertilizantes. Poderemos também ajudar as autoridades a fazer um zoneamento para a produção de cana-de-açúcar, por exemplo. Mas ainda estamos em busca de financiamentos para iniciar, de fato, os trabalhos aqui no Brasil.

A pesquisadora ressalta que o mapeamento dos solos também pode ser útil para entender e combater as mudanças climáticas.

- Sabemos que o solo pode ser tanto um sumidouro de carbono como uma fonte de emissão - explica. - Uma área preservada, tratada adequadamente, se firma como um sumidouro, estocando carbono, enquanto áreas devastadas, com solos degradados, vão emitir carbono na atmosfera. O mapeamento vai nos permitir entender melhor esse processo

O Globo, 05/03/2009, Ciência, p. 32

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