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Manifestantes voltam a desafiar polícia em RR

O Globo, O País, p. 12
02 de Abr de 2008

Manifestantes voltam a desafiar polícia em RR
Produtor de arroz preso por incitar conflito em reserva paga fiança e sai da PF em carreata; ele pode voltar à prisão

Ana Marques e Evandro Éboli

Preso por ter incitado um conflito de índios com agentes federais, em Roraima -- contra a implantação da Reserva Raposa Serra do Sol -- o produtor de arroz Paulo César Quartiero foi solto no fim da noite de anteontem, após pagar fiança de R$ 500. Ele deixou a sede da Polícia Federal de Boa Vista numa carreata, que festejou sua libertação. Ontem, em mais um desafio à Polícia Federal, outras duas pontes que dão acesso à Vila Surumu -- próxima da que foi queimada no protesto de anteontem --, foram interditadas por caminhões e tratores de produtores. Devido ao bloqueio, o governo do estado suspendeu a entrega de merenda escolar na reserva indígena.
A PF informou que poderá pedir a prisão temporária de Quartiero para garantir a realização da operação de desocupação da reserva, confirmada para semana que vem. O produtor é apontado como o principal obstáculo para a desocupação da região.
Ao sair da PF, o arrozeiro discursou em frente ao prédio da corporação.
-- Não vou me render para essa conspiração internacional que quer tomar a Amazônia do Brasil -- disse ele.
Na porta da PF, dezenas de pessoas passaram horas aguardando sua saída. Para evitar maiores tumultos, os agentes interditaram a avenida em frente à sede, uma das principais de Boa Vista.
Representantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR) formalizaram no Ministério Público Federal, na Polícia Federal e no Comitê Gestor da Presidência da República pedido de proteção e segurança às comunidades indígenas localizadas nas proximidades da estrada de acesso à reserva.
A PF confirmou a realização da Operação Upatakon 3, semana que vem. O governo pretende retirar todos os não-índios da reserva. Segundo o coordenador da operação, delegado Fernando Segovia, Quartiero ameaça contratar pistoleiros para um possível confronto com a PF.
Para retirar os arrozeiros da reserva, o governo enviará cerca de 500 homens a Boa Vista. Hoje, há cerca de 150 agentes da PF em Roraima. A PF pretende retirar cinco arrozeiros e 53 famílias de pequenos agricultores.

O Globo, 02/04/2008, O País, p. 12

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