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Manifestantes fazem jejum pelo País em apoio a religioso

OESP, Nacional, p. A9
18 de Dez de 2007

Manifestantes fazem jejum pelo País em apoio a religioso
Atos de solidariedade aconteceram no AM e no RS, entre outros Estados

Liege Albuquerque, Elder Ogliari, Clarissa Thomé, Leonencio Nossa, Tiago Décimo, Ricardo Rodrigues, Adelson Santos, Lauriberto Braga e Rafael Carvalho

De Norte a Sul do País pipocam movimentos de solidariedade a d. Luiz Flávio Cappio. Militantes de movimentos ambientais e religiosos participam de protestos e cumprem jejuns simbólicos para solidarizar-se com o bispo de Barra (BA). Em Manaus, 18 pessoas mantiveram jejum durante todo o dia de ontem, na Igreja de São Sebastião, enquanto religiosos franciscanos e da Caritas e jovens da Renovação Carismática da Igreja Católica oravam no templo, desde as 7h30.

Em Porto Alegre, 7 pessoas iniciaram ontem um jejum de 48 horas no saguão do Tribunal de Justiça do Estado, em solidariedade a d. Luiz. O grupo tem representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Caritas, Comissão Pastoral da Terra (CPT), estudantes e ecologistas. Durante a manifestação, pessoas que transitavam no local eram convocadas a subscrever mensagens de apoio ao bispo. A greve de fome irá até o meio-dia de amanhã.

No Rio, militantes fizeram durante todo o dia vigília em solidariedade à greve de fome de d. Luiz, em frente à Igreja da Candelária, no centro. Um grupo de 20 pessoas participou da vigília e pelo menos 2 pessoas cumpriram jejum que durou todo o dia - a pastora metodista Nancy Cardoso e o assessor parlamentar Roberto Moraes. A vigília reuniu militantes do MST, da Conlutas e do PSOL.

Em Brasília, pessoas ligadas a movimentos como a Via Campesina e Centro de Estudos Bíblicos fizeram jejum em solidariedade ao bispo na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto. À tarde, 11 militantes de movimentos sociais cobravam do governo que negociasse para salvar d. Luiz.

FRENTE

A Frente Cearense contra a Transposição do Rio São Francisco comandou em todo o Ceará um dia de vigília e jejum em apoio a d. Luiz. Em Fortaleza, 5 pessoas começaram um jejum de 24 horas, na praça da Igreja de Nossa Senhora das Dores. A vigília cearense se estende às cidades de Crateús, Crato, Sobral, Limoeiro do Norte, Tianguá, Iguatu e Itapipoca.

Em Salvador, 500 militantes de movimentos sociais e religiosos entregaram uma carta de apoio a d. Luiz e de repúdio à transposição ao governador Jaques Wagner (PT). Na Praça do Campo Grande seguia a vigília de apoio a d. Luiz. Simpatizantes da causa recolheram assinaturas num abaixo-assinado de solidariedade ao bispo.

Em Palmeira dos Índios (AL), a 170 quilômetros de Maceió, movimentos religiosos e de quilombolas participaram de um ato contra a transposição do Rio São Francisco, organizado pela Caritas Diocesana local.

Em Florianópolis, 20 pessoas jejuaram na Catedral Metropolitana, das 8 às 18 horas, em homenagem a d. Luiz. Instituições e entidades como a CPT, o Cimi, o MST e o Grupo de Ação Social Arquidiocesana de Florianópolis apoiaram a manifestação.

Em João Pessoa, entidades católicas promoveram um ato de solidariedade ao bispo de Barra. A manifestação reuniu padres, freiras, teólogos, missionários, sindicalistas, estudantes e agricultores vinculados a 20 entidades que são contra a transposição.

Para especialistas, bispo pode resistir até 60 dias se continuar tomando soro
Simone Iwasso
Após mais de duas semanas sem receber alimento, o corpo humano passa a economizar energia e entra num estado de adaptação para sobreviver durante um jejum prolongado. Todas as ações básicas, como respiração e batimento cardíaco, começam a ser feitas com gasto menor de energia.

A gordura acumulada no organismo, então, transforma-se no combustível energético - e é a quantidade de tecido gorduroso que cada pessoa tem que determinará quantos dias ela poderá agüentar antes que seus órgãos comecem a falir ou que o corpo adquira alguma infecção.

"É muito difícil prever quanto tempo uma pessoa agüenta nessa situação, porque depende da idade, da quantidade de gordura no corpo, da presença de alguma outra doença associada, que pode deixar a pessoa mais frágil", explica o médico especialista em nutrologia Dan L.Waitzberg, diretor-presidente do Grupo de Apoio de Nutrição Humana (Ganep).

Mas pode-se dizer que, em um indivíduo saudável, essa média pode chegar a até dois meses. "Alguém normal, que tenha entre 15% a 20% de gordura no corpo, que esteja bebendo apenas água, sem mais nenhuma outra substância, pode agüentar até 60 dias", afirma.

No caso de d. Luiz Flávio Cappio, que hoje completa 22 dias de jejum, a idade avançada pode ser um complicador. De acordo com boletim médico divulgado pelo frei Klaus Finkam, o bispo de 61 anos estava recebendo até então uma solução de soro caseiro (mistura de água, sal e açúcar).

A partir de 60 dias sem comer, além de perder muito peso, o corpo começa a inchar, já que acumula uma quantidade acima do normal de líquidos em todos os órgãos. Isso ocorre porque o rim passa a ter dificuldade para trabalhar, assim como o coração. No quadro geral, a pessoa já está sofrendo de insuficiência renal e cardíaca.

Paralelamente, como não há mais ingestão de glicose e o estoque de gordura deve ter chegado ao fim, o corpo retira a pouca energia que ainda precisa das proteínas. Com isso, as proteínas presentes no sangue começam a rarear, ficando em níveis abaixo do normal. Todos os órgãos perdem funções.

"Surgem as infecções, aparece uma pneumonia. E isso, num organismo desnutrido, é muito grave. Já é sinal de que a pessoa precisa ir para uma Unidade de Terapia intensiva (UTI)", explica o médico.

OESP, 18/12/2007, Nacional, p. A9

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