Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: SHENEVILLE ARAÚJO
27 de Jul de 2004
Melhores estradas, garantia do direito à Terra, condições de trabalho mais justas, enfim, melhores condições de vida, era a lista de reivindicações do Grito da Terra, movimento social organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), envolvendo diversas entidades rurais e urbanas, realizado durante todo o dia de ontem em Boa Vista, simultaneamente em vários Estados do país, em comemoração ao Dia Grito da Terra Brasil.
A mobilização, que tinha o objetivo de pressionar os governos estadual e federal para que atendam as reivindicações dos trabalhadores entregues há dez dias aos órgãos públicos, iniciou às 7h30 na BR- 174, no trecho Boa Vista/Manaus, próximo à ponte do Água Boa. A estrada ficou interditada por cerca de 300 manifestantes até as 10h.
A Polícia Rodoviária Federal não entrou em atrito com os manifestantes e acompanhou todo o movimento garantindo a segurança na estrada, principalmente na hora da reabertura do tráfego, para evitar qualquer problema.
Mesmo com a compreensão da Polícia Rodoviária, os condutores de veículos que ficaram impedidos de prosseguir viagem por mais de duas horas tinham opiniões divididas sobre o movimento.
A administradora de empresas Beatriz Dolabela, que estava indo a Manaus (AM) a trabalho, considerou a mobilização "um absurdo". Para ela, os participantes deveriam se manifestar em outro local, onde pudessem ser ouvidos pelas autoridades sem prejudicar outras pessoas.
"Eles estão dirigindo seus protestos a pessoas que não têm nada a ver com isso, causando prejuízo a quem tem compromissos. Deveriam ir reclamar ao governo, e não a nós. Isso causa revolta", disse.
O pediatra Cássio Moura estava em uma viagem de turismo com a família. Eles voltavam da Venezuela e iam em direção a Manaus. Apesar de ter que permanecer no veículo por algumas horas com a mulher e filhos, disse que não se incomodou tanto, pois sempre viaja prevenido com alimentação, água e remédios para qualquer eventualidade.
Já o autônomo Daniel Mesquita, que estava indo para Manaus a trabalho apesar de não desaprovar a manifestação, não acredita que possa resultar em algo positivo. "Eles têm direito de se manifestar onde quiserem, e a BR é um local estratégico que chama mais atenção. Mas não acredito que possa dar em alguma coisa, só em atraso de vida pra gente que tem que ficar aqui esperando", declarou.
MOVIMENTO - Criado há cerca de 10 anos no Brasil, o Grito da Terra foi realizado pela primeira vez no Estado no ano passado apenas com a participação dos trabalhadores rurais, tomando corpo neste ano, com o envolvimento da maioria dos movimentos de trabalhadores de Roraima, rurais, urbanos, federais e estaduais, com a participação inclusive de movimentos representantes dos povos indígenas.
Para a presidente da CUT, Lúcia Glória, a segunda edição do Grito da Terra em Roraima foi um sucesso, devido à mobilização obtida. "Foi um desafio envolver todos na luta pelo bem comum. Nós conseguimos a participação dos mais diversos segmentos de trabalhadores na luta pelos direitos coletivos, cada um respeitando a individualidade de sua categoria, mas atuando juntos para a conquista de seus direitos", destacou.
Glória observou ainda outro lado positivo da mobilização, que este ano proporcionou uma união mais legítima, fazendo com que todos tomassem conhecimento da realidade de cada categoria, do que cada um necessita. "Um passou a conhecer a realidade do outro e comprovar que o que todos querem é a mesma coisa, melhores estradas, educação de qualidade, serviço de saúde melhor, melhores condições de vida", avaliou.
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