GM, Rede Gazeta do Brasil, p.B13
27 de Fev de 2004
Manejo rende preço recorde à madeira
São Paulo, 27 de Fevereiro de 2004 - Seringueiros que têm certificação pela exploração racional da floresta conseguem US$ 800 pelo metro cúbico. A madeira certificada - manejada por comunidade de seringueiros da Amazônia - consegue este ano o seu melhor preço nos mercados internacional e interno. A União Européia já paga US$ 800 pelo metro cúbico, enquanto que a não-certificada - às vezes, de origem ilegal - não chega a US$ 200. No mercado interno, a cetificação também garante R$ 450 pelo metro cúbico da madeira-de- lei - ipê-roxo, amarelão e rouxinho e mógno, entre outras. "2004 será o ano que a comunidade do Porto Diáz mais vai ganhar dinheiro com o manejo", diz o coordenador da unidade de trabalho em madeira do seringal Porto Diáz, Nonato Montefusco, no Acre. Os extrativistas de Porto Diáz estão com uma remessa pronta para ser exportada para a Alemanha ainda neste mês. No Acre, além de Porto Diáz, as comunidades de seringueiros de Cachoeira, São Luís do Remanso e Peixoto há dez anos trabalham com recursos florestais de modo sustentável. O preço alcançado consolida o extrativismo como uma das mais eficientes formas para comercialização de madeira certificada. Em 2002, comunidades receberam o selo FSC (Forest Stewardship Council). Projeto-piloto Localizados na região conhecida como a do Baixo Acre, Porto Diáz, Cachoeira, São Luís do Remanso e Peixoto são projetos-pilotos para a ampliação do manejo de madeira para diversas regiões do estado. O governo estadual estima que 2,6 milhões de hectares possam ser explorados de maneira sustentável. "Temos um potencial para gerar US$ 400 milhões anualmente por meio das comunidades de seringuerios", afirma o secretário de Floresta do Acre, Carlos Ovídio. "Será uma tremenda distribuição de renda." A partir deste ano, o governo já começa a estender os programas para aumentar a retirada legal da madeira. O governo já dispõe de uma linha de crédito de US$ 15 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O dinheiro será repassado nos próximos três ano às comunidades florestais dentro do programa Pró Florestania. O governo também irá construir neste ano um por seco em Rio Branco para facilitar o escoamento da madeira produzida pelos ex-trativistas. O objetivo será treinar e equipar tecnicamente as comunidades extrativistas para que possam fornecer ao mercado internacional madeira com nível de padronização seca e aplainada, o que gera maior valor agregado, além da certificação. "O seringueiro conhece a floresta melhor que qualquer técnico. Ele sabe extrair a madeira, sem prejudicar a floresta. O certificado é um reconhecimento pela não-agressão ao recursos naturais", afirma o secretário acreano. Nas comunidades que fazem o manejo, a madeira retirada não é replantada. De acordo com o Ovídio, cada hectare gera um metro cúbico de madeira ano, dentro do processo de crescimento da floresta. Nos projetos-pilotos, cada família consegue fazer o manejo madeireiro uma área de 10 hectares anualmente. A extrativista Eremir do Carmo consegue extrair até 40 metros cúbicos em sua área, o que garante uma renda anual de R$ 6 mil a R$ 12 mi, dependendo da destinação do mercado interno ou externo. Além disso, as comunidades têm a renda da borracha e da castanha e das plantas medicinais. "A valorização de coisas nossas da mata foram as duas coisas que mudaram nos últimos tempos", constatou a extrativista. O governo estadual tem agido como agente para a formalização de contratos de venda tanto no Brasil quanto no exterior. "O trabalho nosso aqui preserva a vida das pessoas lá da cidade também. A importância do que a gente faz não é só para nós daqui de dentro, não", comparou o extrativista Altevir Camilo do Nascimento. Manejo comunitário Na extração racional da madeira, a safra dura quatro meses - de junho a setembro. Parte da madeira nobre e do resíduos que não é exportada são aproveitados na comunidade local para fabricação de móveis. Em Porto Diáz, o forte da ainda pequena produção está centrado na confecção de pequenas peças de madeira. Caixas para guardar chá e pequenos conjuntos de fruteira são os produtos que mais vendem para os mercados de São Paulo e do Distrito Federal. O coordenador da unidade de trabalho em madeira, Nonato Montefusco, afirmou que a intenção é ampliar a oferta de produtos, mas "isso só será possível quando a comunidade estiver mais preparada e mais envolvida ainda do que está com o processo de manejo comunitário". Wagner Oliveira
GM, 27-29/02/2004, p.B13
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