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mandioca nossa de cada dia

Página 20-Rio Branco-AC
Autor: Juracy Xangai
02 de Mai de 2006

Índios kaxinawá ajudam os machineri a recuperar variedades caboclas de milho, macaxeira e amendoim

Cientistas valorizam macaxeira, milho e amendoim cultivados pelos índios por causa de sua pureza genética

As sementes crioulas de milho, amendoim, macaxeira e outros produtos hoje tão valorizadas pelos cientistas por causa de sua genética bem adaptada a cada região, é mais que um alimento para as comunidades indígenas, elas fazem parte de sua cultura e de sua religiosidade.

Dezenas de anos de escravização fizeram com que alguns povos do Acre perdessem algumas dessas preciosas sementes e, com isso parte de sua cultura. Mas os extensionistas da Gerência de Extensão Indígena da Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Agroflorestal (Seater) estão trabalhando na recuperação e preservação dessas espécies que embora ignoradas por muitos, integram a cultura acreana.

Foi assim que os índios Machineri Artur e Cleudo, moradores da Terra Indígena do Mamoadate na região do Alto Iaco, localizada acima de Assis Brasil já na fronteira com o Peru, viajaram junto com o chefe do escritório da Seater de Assis Brasil, Marcos Goes para visitar as aldeias kaxinawá Nova Fronteira, Novo Lugar e Nova Moema no Alto Purus já próximo de Santa Rosa.

A viagem dos machineri teve como principal objetivo conseguir entre os kaxinawá sementes de milho, amendoim e macaxeira que seu povo havia perdido quando foram escravizados para cortar borracha nos seringais.

"Este foi um dos trabalhos mais produtivos que já realizamos, do ponto de vista da contribuição para recuperar a cultura perdida de um povo do Acre. A viagem foi um sucesso porque conseguiram cinco variedades de amendoim e as explicações de como eles devem ser plantados na praia durante o verão e nas terras altas durante o inverno para que as sementes não se percam", explica a historiadora Dinah Rodrigues Borges da gerência de extensão indígena da Seater, que vem focando seu trabalho na recuperação e preservação das sementes crioulas.

Além das cinco variedades de amendoins vermelho, branco, pretos, rajado e marrom, os machineri conseguiram dos kaxinawá manivas de sete variedades de mandiocas só cultivadas no Purus e mais quatro variedades de milho amarelo, roxo e massa.

Moídos separadamente, o milho massa e o amendoim são cozidos em água, primeiro o milho, depois acrescenta-se o amendoim para produzir o "mabush", bebida típica e muito nutritiva que os kaxinawá tomam acompanhando as refeições.

A viagem realizada entre os dias 22 e 30 de março alcançou o sucesso desejado e os índios machineri se comprometeram em reproduzir as sementes e distribuí-las entre as demais aldeias para que possam voltar a utiliza-las na alimentação e rituais de sua gente.

Diversidade biológica - A importância das sementes crioulas está na sua adaptação genética por estarem bem adaptadas ao solo e ao clima da região. Também por resistirem aos ataques de doenças e pragas, o que evita a utilização de agrotóxicos. Embora o mundo esteja perdendo uma média de 300 espécies de plantas por dia, a preservação dessas espécies está sendo considerada essencial para a sobrevivência da própria humanidade num futuro próximo.

A gerência de extensão indígena da Seater foi criada para atende os povos que estão sob a influência da área de impacto causado pelo asfaltamento das BRs 364 e 317. Ela compreende aldeias dos povos kaxinawá, machineri, jaminawa, katuquina e shanenawa.

Através de um sistema de extensão educativa trabalha com 69 agentes agroflorestais, pelo menos um para cada aldeia atendida. Eles são responsáveis por orientar a gestão ambiental dos recursos da comunidade, formação de sistemas agro-florestais, estímulo à formação de roçados, piscicultura, criação de abelhas sem ferrão, jabutis, tracajás e mutuns

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