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Mais um indígena é assassinado no Rio Grande do Sul

Cimi-Sul-Chapecó-SC
11 de nov de 2003

A área Indígena de Nonoai está revoltada, com o assassinato do jovem Geam Amantino Pedroso, na noite de sábado, dia 08. Antes de mata-lo os agressores o torturam e o estupraram.

Na noite de sábado na cidade de Nonoai, RS, o Jovem Kaingang de 22 anos, foi torturado e posteriormente assassinado por marginais ainda desconhecidos. O corpo de Geam estava caído junto a uma árvore, o mesmo continha marcas de fortes agressões na cabeça (estava completamente irreconhecível), e no corpo, onde além de estuprar, furaram os olhos e fizeram cortes nas mãos e nas pernas. Geam foi enterrado no domingo ao meio dia, em meio a uma grande revolta e indignação da comunidade. Geam era surdo-mudo, porém uma pessoa indefesa. Não possuía inimigos, segundo Sadi de Souza, primo de Geam, "ele se dava bem com todos na região".

Segundo lideranças da comunidade as ameaças são constantes, e os indígenas recebem orientações de não saírem da aldeia sozinhos.

O preconceito contra os indígenas é muito forte em toda a região, sendo mais intenso em lugares onde as terras estão em processo de demarcação. A terra indígena Nonoai tem uma extensão de 39,6 mil hectares, atingindo os municípios de Nonoai, Gramado dos Loreiros, Rio dos Índios, Rodeio Bonito e Planalto. Uma pequena parte dessa área está ocupada por pequenos agricultores e outra parte invadida pelo prefeito de Nonoai, Ademar Dall'Astra.

Neste ano já foram assassinadas 23 indígenas no Brasil, sendo que nos estados do Sul foram 05, entre eles: os Kaingang, Leopoldo Crespo da terra indígena Guarita, que foi apedrejado e Adilson Cardoso da terra indígena Votouro que foi degolado. O processo de violência contra os povos indígenas e trabalhadores rurais vem se intensificando a cada dia. Infelizmente as autoridades federais, tanto do poder executivo como do judiciário têm feito pouco caso diante de uma realidade que clama por intervenções emergenciais, quais sejam: punição dos responsáveis por assassinatos e ameaças de morte, mandantes e pistoleiros; punição daqueles que instigam ou apregoam a violência contra índios e sem terra; a demarcação imediata das terras Indígenas e a Reforma Agrária.

O Conselho Indigenista Missionário pergunta, mais uma vez, até quando a barbárie vai prevalecer sobre o direito à vida?

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