OESP, Nacional, p.A11
21 de Set de 2004
Mais um fazendeiro é denunciado por crime em Unaí
Assim como o irmão Norberto, Antério Mânica é acusado de mandar matar fiscais
Eduardo Kattah
O fazendeiro e candidato a prefeito de Unaí (MG) pelo PSDB, Antério Mânica, foi denunciado ontem pelo Ministério Público Federal como mandante do assassinato de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, em emboscada numa estrada de terra em 28 de janeiro. Os procuradores responsáveis pelo caso apresentaram um aditamento à denúncia oferecida no dia 30 de agosto, que foi acatada pelo juiz Francisco de Assis Betti, titular da 9.ª Vara da Justiça Federal. O depoimento do réu foi marcado para quinta-feira. Antério é irmão de Norberto Mânica, indiciado pela Polícia Federal como o principal mandante dos crimes.
Os Mânica são megaprodutores de grãos no noroeste mineiro. A exemplo de seu irmão, Antério foi denunciado pelos crimes de homicídio doloso qualificado e frustração fraudulenta de direitos assegurados na legislação trabalhista.
Ambos estão presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, ao lado de outros sete acusados de envolvimento na chacina.
A principal suspeita que pesa sobre Antério, segundo o MPF, é a informação que surgiu durante as investigações de que um veículo Fiat Marea de cor escura teria seguido no dia 27 de janeiro, véspera do crime, o carro do denunciado José Alberto de Castro num suposto encontro com os executores.
Neste mesmo dia, uma fazenda de Antério teria sido fiscalizada pelos auditores do ministério.
Na quinta-feira da semana passada, em depoimento à Justiça, Norberto confirmou que sua cunhada, Bernardette Mânica, era proprietária de um veículo dessa marca. Bernardette é mulher de Antério, preso no início da noite do mesmo dia.
Depoimento - Outro indício que levou à prisão, conforme o MPF, foi o fato de ele ter telefonado no dia dos crimes para a Subdelegacia Regional do Trabalho em Paracatu, indagando sobre a chacina e com a especial preocupação em saber se todos os funcionários tinham morrido.
Ele também ligou para a polícia para obter informações. Os procuradores acreditam que o fazendeiro estaria tentando se certificar das execuções.
Ontem, Francisco Elder Pinheiro, acusado de ter agenciado os pistoleiros, começou a ser ouvido pelo juiz Francisco Betti. Ele sentiu-se mal e o depoimento foi adiado.
OESP, 21/09/2004, Nacional, p. A11
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