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Mais térmicas acionadas

CB, Economia, p. B15
18 de Jan de 2008

Mais térmicas acionadas
Medida, tomada devido ao baixo nível dos reservatórios das usinas, poderá elevar preços, alerta futuro ministro de Minas e Energia

Luís Osvaldo Grossmann
Da equipe do Correio

Enquanto as chuvas não chegam, o nível médio dos reservatórios das hidrelétricas no Sudeste e Centro-Oeste - onde é gerada quase 70% da energia do país - encostou no limite do que seria um patamar seguro para esta época, 44,8%. E embora ainda confie que as águas virão em breve para reabastecer as usinas, o governo reforçará a geração por termelétricas. Ao todo, a expectativa é de que sejam adicionados mais 3 mil MW de energia para ajudar na economia de água, cerca de 5% do consumo nacional. O uso da energia das térmicas pode pesar no bolso do consumidor, segundo o futuro ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Parte dessa "nova" energia já fora anunciada, mas duas novas térmicas a óleo combustível foram incluídas na programação. Além disso, o Ministério de Minas e Energia confia na conclusão de um gasoduto no Espírito Santo que poderá abastecer térmicas no Rio de Janeiro, de onde sairão outros 900 MW ou 1 mil MW. E a Petrobras prometeu reduzir seu consumo interno de gás natural e desviar o combustível para a geração de outros 750 MW.

Coincidência ou não - o governo garante que a medida estava programada mesmo antes da atual discussão sobre um eventual racionamento -, foram publicadas ontem no Diário Oficial da União as regras para a compra de energia de reserva. Ou seja, as distribuidoras terão que comprar mais eletricidade do que precisam, como garantia para futuros problemas. O primeiro leilão desse tipo está previsto para o fim de abril, vai incluir usinas de biomassa (especialmente bagaço de cana) e deve negociar 2 mil MW.

"Começa a se configurar um regime maior de chuvas para o fim de janeiro, mas nem por isso vamos relaxar. Por pior que seja a hidrologia, temos condição de atender 2008. Mas queremos nos preparar para 2009. Manteremos a utilização do maior número possível de térmicas. As a óleo devem continuar até que haja uma recuperação dos reservatórios enquanto as a gás, até pelo preço, devem ficar o ano todo", afirmou o ainda ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner.

Ontem, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao ministério, anunciou que o consumo de eletricidade cresceu 5,4% no ano passado - aumento mais forte que os 3,5% de 2006 -, puxado pelo comércio (7%), residências (6%) e indústrias (5%). "Estamos revisando o número porque ele veio bem acima do que a média dos anos anteriores", afirmou o diretor de Estudos Econômicos e Energéticos da EPE, Amílcar Guerreiro, durante seminário sobre o setor elétrico no Rio de Janeiro. A expectativa da EPE é de que o consumo aumente 5,2% em 2008. E o próprio ministro Nelson Hubner reconheceu ontem que o país atravessa um período de transição no setor. "O Brasil cresceu mais, mas não vamos colocar novas usinas tão rapidamente", disse.

Lobão
E em meio ao forte crescimento da demanda e um cenário ainda delicado no lado da oferta, o senador Edison Lobão (PMDB-MA), que tomará posse na segunda-feira, foi ontem ao ministério para começar a se familiarizar com o setor. Pela manhã, ele havia se reunido com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e saiu do encontro certo de que não há riscos de faltar energia. "Há um completo otimismo sobre a situação das hidrelétricas", afirmou.

Mesmo assim, o futuro ministro não descartou aumento nas tarifas para o consumidor final. "Se houver elevação de preço, será pequena e no final deste ano", afirmou. "Quando chove mais, a energia fica mais barata e sobra dinheiro. Esses recursos poderiam servir agora para minimizar a diferença de preço a partir do uso das térmicas (que são mais caras)", reforçou.

CB, 18/01/2008, Economia, p. B15

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