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Mais secas e furacoes na America Latina

OESP, Vida, p.A22
12 de Dez de 2004

Mais secas e furacões na América Latina
Relatório apresentado na COP-10 aponta impacto do aquecimento global na região
EFE
O aumento no número de furacões, os volumes dos rios mais elevados e a redução nas zonas glaciais evidenciam os efeitos do aquecimento global na América Latina e no Caribe, segundo relatório divulgado ontem na 10.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-10), em Buenos Aires.
O documento, apresentado pelo governo do México e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), garante que "a mudança climática será cada vez mais um problema de desenvolvimento". "O aumento da intensidade e freqüência de furacões no Caribe e dos níveis dos rios no Brasil e na Argentina, as mudanças nos padrões das chuvas e a redução das áreas glaciais da Patagônia e dos Andes são fenômenos que indicam o impacto que o aquecimento global pode ter na região", diz. "O impacto da mudança climática dependerá do desempenho das nações no desenvolvimento de medidas de abrandamento e adaptação."
O texto aponta que a América Latina e o Caribe (ALC) é uma das regiões "mais ricas e variadas do mundo", mas enfrenta problemas sociais "muito sérios quanto à desigualdade e à pobreza", o que dificulta o desenvolvimento de programas "que conduzam a uma sustentabilidade capaz de responder aos desafios ambientais".
O documento atualiza dados e informações de organizações e centros de pesquisa do mundo sobre os fatores que aumentam o aquecimento global na região e apresenta recomendações para combater esta situação. "O problema mais grave da região é sua alta vulnerabilidade. A América Latina e o Caribe contribuem muito pouco para emissão de gases do efeito estufa, mas pode ser muito prejudicada", disse Ricardo Sánchez Sosa, diretor do escritório regional para a ALC do Pnuma.
Sosa disse que a região precisa negociar seriamente com os países ricos porque, caso contrário, "será muito prejudicada com o aumento de fenômenos, como furacões e secas mais intensas, que têm um alto custo econômico e humanitário". O relatório lembra que o furacão Mitch, que atingiu principalmente Honduras e Nicarágua, deixou cerca de 1,2 milhão de desabrigados e prejuízos de US$ 8,5 milhões. No Brasil, a tempestade Catarina também causou estragos e mortes em Santa Catarina. Muitos pesquisadores acreditam que tenha sido o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul.
Segundo o relatório, 70% das emissões de gases que provocam o efeito estufa na região provêm de Brasil, por causa do desmatamento, México, Venezuela e Argentina, mas isso equivale a apenas 8% da emissões mundiais. "É preciso pedir aos países ricos, os principais responsáveis pela mudança climática, que dêem o primeiro passo para reverter esse problema", disse.

Gado é maior fonte emissora de metano no Brasil
Herton Escobar
Reduzir as emissões de dióxido de carbono pelo desmatamento não é o único desafio do Brasil para combater o aquecimento global. Outro importante gás que contribui para o efeito estufa é o metano, que ocorre em menor quantidade na atmosfera, mas possui um poder de aquecimento cerca de 20 vezes maior do que o dióxido de carbono. Nesse caso, a principal fonte de emissão no Brasil é a pecuária. Todo boi ou vaca emite metano naturalmente pela respiração, como um subproduto da degradação de fibras vegetais no estômago. Cabeça por cabeça não parece grande coisa, mas quando se tem um rebanho de 195 milhões de bovinos, o acúmulo torna-se significativo.
Segundo o inventário nacional de emissões, 92% das 10 milhões de toneladas de metano emitidas pela agropecuária do Brasil entre 90 e 94 vieram da "fermentação entérica" do gado. Em termos do efeito na atmosfera, é algo mais ou menos equivalente às emissões de dióxido de carbono do setor energético brasileiro no mesmo período, segundo o pesquisador Alfredo José Barreto Luiz, da Embrapa. Os cálculos são baseados em metodologias estabelecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e aplicadas ao rebanho nacional, que na época somava 158 milhões de cabeças. "Todo ser ruminante do planeta emite metano. Não há como evitar isso."
Pesquisadores agora estão desenvolvendo parâmetros de emissão específicos para o gado brasileiro, que variam de acordo com a raça, alimentação e método de criação. Quanto mais intensivo e confinado o manejo, menor a emissão, explica Luiz, porque o boi engorda mais rápido e é abatido muito mais cedo.

OESP, 12/12/2004, p. A22

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