O Globo, Rio, p. 21
30 de Mar de 2012
Mais de mil jovens serão voluntários na Rio+20
Moradores de favelas cariocas e universitários vão ser selecionados pelo Comitê Nacional de Organização do evento
Emanuel Alencar
economia@oglobo.com.br
Mil jovens de favelas do Rio vão atuar como voluntários na Rio+20, conferência da ONU que acontece de 13 a 22 de junho, informou ontem o secretário do Comitê Nacional de Organização (CNO) do evento, ministro Laudemar Aguiar. As comunidades ainda estão sendo selecionadas, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) e com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A ideia, afirmou Aguiar, é que voluntários capacitem outras pessoas de suas comunidades. Eles serão cadastrados e quem se destacar terá oportunidade em futuros eventos no Rio.
Haverá bicicletário nos principais pontos do evento
A organização da Rio+20 estuda se pedirá à prefeitura que decrete feriado municipal entre 20 e 22 de junho, data das negociações do alto segmento da cúpula da ONU. Os chefes de estado precisarão se deslocar pela cidade e para isso, ruas de grande movimento da capital deverão ser interditadas. Com o recesso, os transtornos seriam menores.
A decretação de feriado ainda é uma possibilidade, mas o ministro Laudemar Aguiar disse ontem que está certa a presença de 500 universitários no quadro de voluntários do evento:
- A inclusão social faz parte do desenvolvimento sustentável. Serão criadas oportunidades nas áreas de turismo e hotelaria.
Os organizadores da Rio+20 anunciaram ainda que haverá um cartão especial para o transporte público durante o encontro - um RioCard específico, com a logo da conferência - e bicicletários nos principais locais do evento: Aterro do Flamengo, Cais do Porto, Riocentro (que receberá o encontro oficial da ONU) e Parque dos Atletas/HSBC Arena.
Laudemar Aguiar minimizou, ontem, o déficit de hospedagem - "não há cidade no mundo com rede hoteleira capaz de receber 50 mil pessoas de uma só vez" - e disse não ter dúvidas de que os nós atuais serão desatados.
- Já temos confirmados 84 chefes de estado, mas 100 já solicitaram fala na conferência, no Riocentro, que terá capacidade para 43 mil pessoas. O Rio é uma cidade acostumada a grandes eventos. Além dos hotéis, contaremos com a hospedagem alternativa. Já temos 50% dos leitos de hotéis quatro e cinco estrelas bloqueados para as delegações. Queremos chegar a 70% e as negociações estão bem encaminhadas - afirmou o ministro, responsável pela organização e logística do evento.
Riocentro terá vigilância da ONU a partir de 13 de junho
Já está definido que o espaço multiuso HSBC Arena (em Jacarepaguá) e o Vivo Rio (no Flamengo) estão reservados para os encontros da sociedade civil, que poderá acompanhar a conferência em tempo real, por telão, com legendas em português ou inglês. Os espaços terão capacidade para até 25 mil pessoas.
Também foi anunciado que 350 ônibus levarão as delegações dos hotéis - a maioria da Zona Sul - ao Riocentro, que ficará sob vigilância da ONU a partir de 13 de junho.
- Em 1992, a conferência ocupou três pavilhões então existentes no Riocentro. Hoje são cinco e a ONU vai usar todos. Não havia outro local no Rio capaz de atender a estas necessidades - disse Laudemar Aguiar.
Iphan proíbe acampamento nos jardins do Aterro
Opção será pernoitar na Quinta, em Cieps ou no Sambódromo
Durante os dez dias da Rio+20, a cidade será tomada por milhares de ativistas ambientais e representantes de organizações não-governamentais. Uma área do Parque do Flamengo vai receber a Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas e que reunirá até 15 mil pessoas. Mas os acampamentos estão proibidos no Aterro, por determinação da prefeitura, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Comando Militar do Leste.
Desta forma, representantes do MST, quilombolas e integrantes de movimentos indígenas e religiosos deverão pernoitar na Quinta da Boa Vista, no Sambódromo e em dois Cieps, que ainda são escolhidos pela prefeitura.
- Estamos fazendo todos os esforços para evitar grandes transtornos, além dos inevitáveis, por conta das comitivas dos chefes de estado. Acampamento no Aterro, além de ferir um espaço tombado, seria uma temeridade por causa do trânsito - disse o secretário municipal de Conservação do Rio, Carlos Roberto Osório.
O mundo em discussão
Com a proposta de tornar o planeta num lugar melhor para vivermos, será realizada, em julho, a aguardada Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O Rio de Janeiro vai sediar o evento, que acontecerá exatas duas décadas depois da Rio-92 - o maior encontro sobre meio ambiente da História -, que também aconteceu na cidade.
A meta do novo encontro será definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. São esperadas delegações governamentais dos 193 estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), além de representantes de vários setores da instituição, num total de 50 mil pessoas. Acontecerão debates e reuniões em busca de soluções para questões importantes às futuras gerações. Entre os problemas a serem discutidos estão as mudanças climáticas e o consumo desenfreado da população.
A Rio-92 reuniu 108 chefes de Estado e de governo e produziu uma série de documentos e acordos que até hoje norteiam a discussão ambiental no mundo.
O Globo, 30/03/2012, Rio, p. 21
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