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Maioria das escolas está em área indígena

Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/fbv/noticia.php?id=80669
23 de fev de 2010

Das 330 escolas estaduais, 186 são localizadas em comunidades indígenas, o que corresponde a 56% das instituições de ensino estaduais. São mais de 10 mil alunos na rede de ensino que alia conhecimentos regulares à língua materna de cada região. O desafio é a capacitação de professores para atuarem nessas regiões.

Os dados são do censo escolar de 2009, e mostram que os alunos indígenas representam pouco mais de 12% do quadro do Estado. Para atender a esta demanda, 1.988 professores atuam nas escolas, sendo 1.299 em regime de contratos temporário e 689 concursados. As escolas indígenas estão instaladas nos municípios de Cantá, Boa Vista, Bonfim, Normandia, Uiramutã, Pacaraima, Amajarí, Alto Alegre, Caroebe e Iracema.

O número de alunos é baixo se for considerado o total de instituições, mas isto se deve ao fato das escolas indígenas atuarem com baixo contingente de alunos, característica comum a este tipo de ensino.

De acordo com a secretária-adjunta de Assuntos Pedagógicos, Alda Amorim, um dos principais desafios da educação indígena é a seleção de professores capacitados para atuarem na rede de ensino. Ela pontuou que no último processo de seleção de professores, houve polêmica acerca da contratação de não-índios para atuarem na área. "Sentimos dificuldades por não haver indígenas devidamente capacitados para ministrar aulas", disse.

Para sanar esse problema, a Secretaria Estadual de Cultura e Desporto (SECD) passou a investir na formação de profissionais indígenas para atuar nas escolas de vários municípios. Em geral, os cursos são realizados no período das férias escolares, para que não haja interferência nos dias letivos dos alunos.

Um dos projetos é o Insikiran, realizado em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), no qual professores que já atuam na rede de ensino, são graduados no curso de Licenciatura Intercultural, com habilitação em Ciências Sociais, da Natureza e Comunicação e Artes. Ao todo, 37 professores já concluíram o curso e outros 80 se formarão ainda este ano.

Já o Tamî'kan é um projeto que busca capacitar no magistério, professores de oito etnias indígenas, sendo elas Yanomami, Wapichana, Wai-wai, Macuxi, Yekuana, Ingaricó, Sapará e Taurepang. Um total de 300 profissionais que já atuam como docentes nas comunidades indígenas, são formados por meio do Centro de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (Ceforr) desde dezembro de 2006. A previsão é que o curso encerre ainda este ano.

Além das disciplinas regulares, a educação indígena aborda a língua materna de cada comunidade. De acordo com a secretária-adjunta Alda Amorim, há dificuldade em encontrar pessoas falantes de línguas maternas, desta forma, a secretaria disponibiliza cursos para tentar resgatar a cultura, por meio da língua originária de cada localidade.

MUNICÍPIO - Além das escolas estaduais, o município também dispõe de 333 alunos indígenas, sendo 171 na educação infantil, 129 no ensino fundamental e 33 em turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). São três escolas contendo 8 anexos, que atendem a 11 comunidades indígenas. Há previsão para construção de novas escolas nas comunidades indígenas Vista Alegre, Lago Grande e Serra da Moça.

A prefeitura prioriza a formação continuada dos professores que atuam nas comunidades indígenas.

Nas comunidades indígenas, a prefeitura implantou a alfabetização bilíngue, incluindo na grade curricular além do português, as línguas Wapixana e Macuxi, por meio da disciplina de Língua Materna que atende atualmente a seis comunidades. A língua macuxi é ministrada nas comunidades Vista Alegre, Truaru da Cabeceira, Ilha, Morcego, Lago Grande e Vista Alegre. No Lago Grande é estudado o Wapixana.

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