Prensa Latina/Site do PC do B
22 de Jul de 2005
O líder da comunidade miskita da costa do Caribe da Nicarágua, Brooklyn Rivera, confirmou ontem (21) que será aliado da Frente Sandinista de Libertação Nacional para as futuras eleições.
Para os especialistas, essa integração fortalece a influência política da Frente e da Convergência Nacional, que agrupa partidos e movimentos que se uniram ao maior partido da oposição na Nicarágua.
Rivera, representante da organização indígena Yátama (Filhos da Mãe Terra), disse à mídia que constituiu com a Frente Sandinista uma aliança eleitoral, embora nas eleições regionais concorra separadamente da maior organização política oposicionista do país.
A Yámata, a maior organização indígena, será decisiva nas aspirações dos sandinistas de aumentar a presença na região caribenha do país, estimam os analistas políticos locais.
Rivera pretende que se façam profundas reformas eleitorais, para que no futuro os governos não voltem a excluir os movimentos indígenas, como ocorreu durante o mandato de ex-presidente acusado de corrupção Arnoldo Alemán (1997 a 2002).
O dirigente miskita participou como convidado especial da festa de aniversário de 26 anos da vitória do Exército Popular Sandinista, que reuniu mais de 100 mil pessoas na capital do país, no último 19 de julho.
O próprio secretário-geral da Frente, Daniel Ortega, disse que a presença do líder do Yátama era um símbolo da reconciliação das forças que lutam pelo país, unidos contra a pobreza, a fome e o desemprego.
Na década de 80 de século passado, Rivera dirigiu um agrupamento de contra-revolucionários denominado Misurasata, que como outroas forças foi financiada e organizada pelos Estados Unidos, com o fim de derrotar a Revolução Sandinista.
Sobre esse "triste passado para todos", Rivera disse que "não regressará, pois temos de ver o presente com idéias de um futuro progressista".
O líder indígena garantiu que o Yátama não cederá às pressões americanas para reunificar-se com a direita e enfrentar a FSLN nas eleições de 2006.
Na costa Atlântica (Norte e sul do país) há cerca de 140 comunidades indígenas, que somam cerca de cem mil pessoas, das etnias miskito, sumo, rama, garifuna e mestiços.
De acordo com um estudo demográfico, é a zona menos povoada do país e de pior infraestrutura, onde a miséria afeta a mais de 80% dos 650 mil habitantes, que sobrevivem principalmente da pesca e de atividades agrícolas.
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