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28 de Nov de 2008
Integrantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR), ligados à Organização dos Professores Indígenas de Roraima (Opirr), estiveram ontem pela manhã realizando manifestação na Praça do Centro Cívico contra o concurso público para o magistério indígena.
A mobilização já tinha sido anunciada pelos professores que são contra a participação de não-índios no concurso realizado no último final de semana para preenchimento de 504 vagas ofertadas pela Secretaria Estadual de Educação.
Segundo a coordenadora da Opirr, Pierângela Nascimento, os não-índios não se adaptam à cultura e às comunidades indígenas e logo pedem para sair, prejudicando o andamento do ensino.
"Nós não iremos aceitar esse concurso. Temos professores indígenas que conhecem a necessidade e sabem como lidar com os povos das comunidades. Os não-índios não se adequam e vão embora depois de algum tempo, deixando os alunos sem professores", disse.
Os indígenas pedem que o concurso seja cancelado e que os contratos de processo seletivo dos professores indígenas, que ainda estão em formação e que por isso não puderam participar, seja renovado até que eles se formem em 2012.
Através da Fundação Nacional do Índio (Funai), o grupo entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo o cancelamento do processo, que já está em andamento só aguardando a resposta.
Os manifestantes dizem ainda que, devido ao atraso na assinatura do compromisso Todos pela Educação, só na parte indígena, o Estado deixou de receber R$8 milhões do Plano de Ações Articuladas do Governo Federal, fato descrito pelos professores como "descaso com a educação indígena".
"Queremos levar ao conhecimento da população essa situação. A educação do Estado está sendo prejudicada, falta professor e a estrutura é péssima, e o governo ainda deixa de receber os recursos. Isso é um descaso e falta de compromisso com o povo", disse Pierângela Nascimento.
Pela manhã, os representantes da causa estiveram reunidos com o deputado estadual Flamarion Portela, a quem apresentaram os pontos de reivindicação e solicitaram o apoio para fiscalizar a situação.
Um documento contendo todas as explicações da manifestação estava sendo entregue à população, em que, com base em artigos da legislação, apresentavam motivos para que o concurso fosse abolido.
Os manifestantes foram recebidos pelo secretário de Educação, Luciano Moreira, que firmou o compromisso de realizar, após o concurso, um processo seletivo para absorver todos os professores que ainda estão em formação. "Vamos fazer um trabalho articulado, verificar quais são as dificuldades de cada localidade, trabalhar estratégias em conjunto e elaborar um edital focado na realidade das regiões indígenas", disse.
O grupo afirmou que não pretende recuar e as lideranças afirmam que não irão aceitar os novos convocados através do concurso, nem que para isso tenham que trabalhar voluntariamente nas comunidades indígenas.
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