OESP, Nacional, p. A9
02 de Mar de 2006
Madeireiros se armam para evitar desocupação no Pará
Acusados de invasão e grilagem prometem reagir a tentativa de retirada
Carlos Mendes
Os madeireiros Sírio da Silveira Ferraz e Dirceu Moreira dos Santos, acusados de invasão e grilagem de terras públicas em Monte Alegre, no oeste do Pará, mandaram ontem um aviso para as autoridades fundiárias do Estado: não pretendem sair das áreas que ocupam e prometem reagir a qualquer tentativa de retirá-los. Pistoleiros armados montaram barreiras na mata para impedir a chegada de estranhos ao local onde grande quantidade de madeira foi armazenada.
Técnicos do governo que estiveram na região ficaram impressionados com a ousadia dos grileiros e com a devastação que já provocaram. Para derrubar a floresta, os invasores abriram 170 quilômetros de estradas clandestinas, aterrando lagos e igarapés.
Desmataram o que puderam, queimando o que sobrou para transformar tudo em campos de soja. Em Monte Alegre, que é um município do tamanho do Estado de Sergipe, um terço do território (700 mil hectares) está hoje em poder de invasores.
PROTEÇÃO
Ocorre que as terras invadidas estão localizadas em áreas de proteção especial do Estado, segundo decreto sancionado em agosto do ano passado pelo governador Simão Jatene (PSDB). O diretor de Fauna e Flora da Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam), Lahire Dillon Figueiredo Filho, disse que Sírio Ferraz, Dirceu dos Santos e outros grandes grileiros terão de sair de qualquer maneira das terras, porque elas fazem parte do projeto de macrozoneamento ecológico-econômico do governo estadual.
Ele anunciou que uma força-tarefa, com apoio das Polícias Civil e Militar, terá de ir ao local com urgência para promover a retirada dos invasores. "Quanto mais o tempo passar, maiores serão os prejuízos causados à natureza", comentou Figueiredo Filho. Antes da operação, porém, o governo deverá ingressar na Justiça com pedido de liminar para reintegração de posse.
Sírio Ferraz nega que seja grileiro e se diz dono de mais de 30 mil hectares somente na região conhecida por Serra Azul. Seus familiares, amigos, fazendeiros e madeireiros do Paraná e de Mato Grosso seriam proprietários de outros 300 mil hectares em Monte Alegre.
OESP, 02/03/2006, Nacional, p. A9
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