O Globo, O País, p. 4
26 de Fev de 2008
Madeireiras impedidas de atuar por 2 meses
Justiça do Pará exclui do sistema que regula atividades comerciais empresas suspeitas de tentar proibir retirada de toras
Ronaldo Brasiliense
O cerco às madeireiras que trabalham com madeira ilegal em Tailândia, a 235 quilômetros de Belém, chegou ao Judiciário. Desde sextafeira, empresas supostamente responsáveis pelos tumultos que impediram a remoção de madeira apreendida no município, na semana passada, foram excluídas por dois meses do sistema eletrônico que controla o transporte e o armazenamento de produtos florestais. Na prática, a medida impedirá que as empresas exerçam qualquer atividade comercial no período.
Em decisão liminar, a juíza Hind Gassan Kayath, da 2ª Vara Federal, em Belém, no Pará, permitiu o bloqueio das madeireiras no sistema. A solicitação foi feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ( Ibama) e pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará. As primeiras empresas suspensas foram Primavera, Catarinense, GM Sufredini, Tailaminasplac e Taiplac.
Em Tailândia, mais 19 carretas com toras de madeira foram liberadas pela Secretaria do Meio Ambiente do Pará (Sema) para ir a Belém. Para hoje se prevê a chegada de uma balsa com capacidade para escoar até 500 toras, o equivalente a 50 caminhões carregados. A balsa fará o escoamento da madeira ilegal até a capital pelo Rio Moju.
Empresas podem passar por devassa fiscal
Os madeireiros de Tailândia correm risco de prisão, a partir desta semana, quando se inicia a Operação Arco de Fogo, do Ibama, da Polícia Federal e da Sema, com o anunciado reforço da Força Nacional de Segurança.
A ordem é prender todo madeireiro que resista à operação.
Num trabalho de inteligência que envolveu a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública do Pará, madeireiros de Tailândia tiveram suas vidas pesquisadas. Não está descartada uma devassa fiscal nas contas de madeireiras onde foram apreendidos quase 15 mil metros cúbicos de madeira cortada ilegalmente. Tailândia foi palco, na semana passada, de protestos em que parte da população, insuflada por madeireiros, fechou a rodovia, ameaçou fiscais e enfrentou com pedras e paus a Polícia Militar do Pará.
Sindicato diz que decisão causará desemprego
Empresários querem retomar operação
O presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras de Tailândia (Sindimata), João Batista Medeiros, ao saber da liminar da juíza federal Hind Kayath impedindo as serrarias de Tailândia de operar por dois meses, disse que tentará reverter a medida: - Vamos tentar reverter essa decisão no Judiciário, até porque essa medida não resolverá nada e apenas contribuirá para o aumento do desemprego nas madeireiras.
Para tentar evitar novos confrontos, duas entidades madeireiras da região - a União das Entidades Florestais do Pará (Uniflor) e o Sindicato das Indústrias Madeireiras de Tailândia (Sindimata) - divulgaram nota em que afirmam ser a favor "de qualquer operação de fiscalização, com respaldo estatal, político e popular, que coíba o desmatamento ilegal e que promova a legalidade do setor florestal e o desenvolvimento sustentável em todo o Pará". As entidades ressaltam que estão preocupadas pelo fato de que "as ações repressoras não estão sendo acompanhadas de políticas concretas de fomento e desenvolvimento sustentável do Pará".
Diretor-executivo da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará (Aimex), Justiniano Neto criticou o ministério do Meio Ambiente por ações de repressão.
- Não existe sequer uma ação que seja de fomento, de estímulo à produção sustentável. Não se oferece alternativa para a região, apenas proibição.
O Globo, 25/02/2008, O País, p. 4
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