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Madeira apreendida desaparece

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
05 de Fev de 2005

O governo cedeu às pressões dos madeireiros do oeste do Pará, autorizados a continuar derrubando mognos, cedros e ipês na Amazônia. E o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não sabe onde estão cerca de 48 mil metros cúbicos de madeira de lei apreendidos em várias operações de fiscalização ao longo de 2002 e 2003 na região e avaliadas em U$ 15 milhões.

As árvores foram derrubadas ilegalmente nas terras federais das reservas florestais onde vivem os índios Caiapó, Iriri e Mecranotiri e compradas por quatro madeireiras de Santarém. O desaparecimento da madeira foi constatado pelos procuradores que elaboraram um extenso relatório entregue no dia 4 de setembro ao procurador-geral do órgão, Sebastião Azevedo.

A sindicância, que gerou um processo de seis volumes, constatou que os fiscais do Ibama lavraram o auto de apreensão da madeira que estava nos pátios das serrarias, mas a coordenação de fiscalização do instituto não elaborou o inventário da madeira nem nomeou os fiéis depositários do patrimônio público que desapareceu.

O relatório da comissão de sindicância responsabiliza seis funcionários da Coordenação-Geral de Fiscalização Ambiental, na época ocupada por Marcelo Marquezini. O milionário lote de madeira foi derrubado no período de dois anos sem qualquer plano de manejo, pois o Ministério do Meio Ambiente não autoriza este tipo de exploração em terras indígenas.

Depois de quase um mês de auditoria concluída em agosto do ano passado, os procuradores do Ibama constataram que os lotes estavam armazenados na serraria Internacional Madeiras Ltda. e em galpões de outros dois empresários do setor - Paulo Pombo Tocantins e Elias Salame da Silva. Os fiscais do Ibama constataram que a madeira apreendida tinha sido derrubada em terras federais cortadas pela BR 163 - rodovia Cuiabá-Santarém, região conhecida como "Terra do meio".

O procurador Sebastião Azevedo disse que não há atraso na decisão do Ibama sobre a responsabilização pelo desaparecimento da madeira. "Estamos analisando o relatório e vamos tomar as providências. Não estamos atrasados", comentou. O Ibama vai decidir se punirá ou não os seis graduados funcionários apontados como responsáveis pelo desvio.

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