Brasil Norte-Boa Vista-RR
04 de Mai de 2004
A possibilidade de que haja conflitos em Roraima com a homologação da área de Raposa em reserva contínua fez acender a luz amarela no Palácio do Planalto.
E para evitar coisa pior, a Polícia Federal elaborou plano de contingência para conter manifestações violentas entre manifestantes a favor e contra a demarcação.
O conflito pode ocorrer assim que o presidente Lula assinar a homologação da área.
Mais gente
Apesar da greve dos delegados e agentes, a PF de Roraima elaborou o plano emergencial e o enviou ao Ministério da Justiça.
Estrategistas da instituição já identificaram os principais pontos de tensão e conflito.
O plano foi elaborado levando-se em conta os protestos ocorridos no Estado em janeiro passado, quando manifestantes contra a demarcação contínua fecharam as estradas em vários pontos do Estado.
Funai agoniza
Criada há 36 anos para defender e assegurar aos índios melhores condições de vida, Funai não tem conseguido cumprir seu papel.
Há uma pressão forte no Congresso para que a entidade seja extinta. Outras forças defendem sua reestruturação.
E novo modelo de gestão começaria, segundo as opiniões, pela escolha de uma liderança indígena para seu comando.
Desmonte
Atualmente, apenas 30% da política indigenista do país está a cargo da Funai.
Nos últimos anos, ocorreu uma progressiva descentralização e as atribuições da fundação foram remanejadas para cinco outros setores do governo federal. O resultado é que a política indigenista hoje não é mais exclusividade da Funai.
A educação dos índios está no Ministério da Educação. E os serviços de saúde estão a cargo da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Juntos, os orçamentos desses dois órgãos para a população indígena somam R$ 184 milhões, o dobro do orçamento da Funai.
Qual o interesse?
De repente a Folha de S. Paulo, maior e mais influente jornal brasileiro, abarcou a questão indígena, com foco na mineração.
São páginas inteiras abordando temas variados, mas todos centralizados nas riquezas minerais existentes em áreas ocupadas pelos índios.
O que mais impressiona é que o jornal defende abertamente a mineração nas reservas. Os entendidos acham que há grupos fortes por traz do apelo jornalístico.
A COMISSÃO de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados lança hoje a Campanha Educativa sobre Direitos Humanos e Direitos Indígenas, com a distribuição de cartilhas explicativas.
O LANÇAMENTO acontece paralelamente à audiência pública que a comissão realiza, às 14h30, sobre a questão indígena, com a participação do presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes.
"NÃO QUEREMOS que a região de Raposa vire uma Rondônia, que está vivendo momentos de grave crise entre garimpeiros e índios". A advertência é da deputada Suely Campos, preocupada com as conseqüências que virão se a área pretendida for transformada em reserva indígena de forma contínua.
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