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A luta dos povos indígenas numa grande exposição

Diário de Natal (Natal - RN)
09 de jul de 1998

Com a chegada do terceiro milênio, o ano 2.000 representa 500 anos exatos de ocupação e colonização estrangeira em território dos povos indígenas. Para eles, não há o que se comemorar. Na visão dos indí­genas e simpatizantes da causa, o que houve foi invasão, repressão, violência e morte. No Rio Grande do Norte, por exemplo, diversas tribos, como a dos Potiguara, foram ex­pulsos da terra, refugiando-se em estados vizinhos.

Como forma de resgatar esta história, muitas vezes distorcidas nos livros didáticos, um grupo de professores e artistas promovem, junto ao Centro de Estudos dos Povos Indígenas (CEPÍ) e a Editora Filhos do Sol, a 'Pindorama Tá-Angá", uma exposição de painéis, fotografias, artesanatos, desenhos, pinturas, esculturas e vídeos documentários apresentados numa grande oca, constiuída no Centro de Conviência da UFRN, durante toda a SBPC. "Achamos interessante aproveitar o momento da SBPC para promover a l Semana Brasil Indígena: 500 Anos de Resistência, evento que pretendemos repetir todos os anos", informa uma das coordenadoras do grupo, Jussara Galhardo Aguirres Guerra, lembrando que em meio a exposição, estará presen­te uma representação da tribo dos Potiguara da Baia da Traição, em João Pessoa; que vão mostrar e comercializar seu artesanato.
Os Potiguara são remanescentes das tribos potiguares que ha­bitaram do Rio Grande do Norte ao Maranhão e sairam do Estado fugindo da escravidão imposta pelos portugueses no século XVI. Apesar de vários historiadores afirmarem iqub não existe mais índios no Estado, o grupo de estudos acreditam que há remanescentes indígenas no RN, em municípios como Vila Flor, Georgirio Avelino, Apodi Viçosa. Nossa proposta é fazer uma catalogação", enfatizou. Um dos maiores problemas que enfrentam, relata Jus­sara, é do preconceito. " Muitos escondem sua identidade. Um membro do Centro Indigemsta Missionário - CIMI, vai fazer uma campanha de assinaturas reivindicando a aprovação do novo Estatuto do Índio. A Legislação garante di­reitos dos índios sobre terras, garantindo assim a sobrevivência dessas tribos.O Centro vai trazer uma exposição itinerante, mostrando a realidade indígena através de painiéis de várias etnias. Entre os artistas que participam da exposição estão Ana Antunes, Dorian Gray, Emanoel Amaral, Jussara Galhardo, Ievi Bulhões, Madé Weiner, paulene Lima, Silzário, So­corro Evangelista, Vânia Aguirres, Vicente Vitoriano, Gilvan Lira, Rooney Figueiredo, Beatriz Nunes eSheyla.Germana.

ENTIDADE DIFUNDE CULTURA INDÍGENA DURANTE SBPC
O Centro de Estudos dos Povos Indígenas aproveitou a 50ª Reunião da SBPC para difundir a cultura indígena e lançar uma campanha em pro do Estuto das Sociedades Indígenas. Às vésperas do 5o Centenário da colonização, o CEPI está preocupado com a paralização do projeto de Lei, 2.057/91, substitutivo do deputado Luciano Pizzatto (PFL/PR).
Na tentativa de acelerar a apreciação e votação do projeto em tramitação na Câmara Federal , o CEPI está colhendo assinaturas. Pelo menos atenção, eles já chamaram. A oca omntada entre o Centro de Convivência e a Reitoria despertou interesse de muitos universitários e professores. Nas duas primeiras horas do evento mais de 200 assinaturas já tinham sido colhidas.
Os povos indígenas alcançaram avanços significativos na Constituição Federal de 1988, entre eles, o reconhecimento pelo Estado da diversidade étnica e seus espaços prioritários. O CEPI entende que os índios necessitam de uma legislação específica e que o Estatuto de 1973 não responde mais às demandas dos povos e comunidade indígenas.
Essa defasagem aliada a paralisação do projeto, têm gerado prejuízos sifnidicativos principalmente no ocante à política indigenista oficial e o tratamento de matérias importantes como a demarcação e proteção dos territórios indígenas.

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