OESP, Nacional, p. A9
10 de Jun de 2008
Lupi admite problema com trabalho escravo
Mas ele diz que País luta contra isso e reclama de críticas de outros países
Jamil Chade
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, admitiu ontem que o Brasil tem problemas com trabalho escravo nos canaviais. "O País não está escondendo a realidade e está tomando medidas para lutar contra o problema", disse em Genebra, onde falou na abertura da Assembléia da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ele reclamou, porém, das críticas feitas pelos países ricos e cobrou "mais respeito à soberania do Brasil".
Nas duas últimas semanas, relatórios do governo dos Estados Unidos e da Anistia Internacional apontaram violação aos direitos humanos nos canaviais. Para os EUA, o Brasil não está fazendo um esforço suficiente para atacar o problema.
"Temos problemas, mas estamos nos esforçando para acabar com isso. Não somos como os americanos ou outros países que se recusam a debater o assunto", afirmou Lupi. "Nos últimos anos, libertamos mais de 28 mil trabalhadores e vamos intensificar nossos trabalhos." Ele disse que até maio 1,1 mil trabalhadores foram libertados.
A União Européia vem sofrendo pressões internas e já pensa na criação de um certificado social para que o etanol importado possa entrar em seus mercados. O assunto preocupa as autoridades brasileiras. Lupi contou que o governo já negocia a criação de um protoloco para a padronização na produção de cana, com um selo social.
O governo americano avalia a criação de barreiras para produtos brasileiros feitos a partir de mão-de-obra escrava. O diretor do Escritório para o Combate ao Tráfico de Pessoas, embaixador Mark Lagon, contou que irá ao Brasil este mês para tratar do assunto e nos EUA barreiras já estão sendo pensadas. "O Brasil tem adotado medidas importantes, com ações diretas sobre as pessoas envolvidas. Mas a pena ainda é pequena."
OESP, 10/06/2008, Nacional, p. A9
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