CB, Brasil, p. 11
12 de Jun de 2007
Lula promete "açudes cheios"
Da Redação
No dia em que o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, iniciou a peregrinação pelo Rio São Francisco, o presidente da Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem, mais uma vez, em defesa do projeto de transposição. Durante o programa de rádio Café com o Presidente, Lula garantiu que os açudes nordestinos não vão mais secar depois que os canais levando água para outros estados da região estiverem prontos. "Nós vamos deixar os açudes perenes. Não vai ter mais aquela dos açudes, na época da seca, ficarem vazios, ou seja, nós vamos deixar os açudes sempre cheios", afirmou o presidente.
As obras do projeto já começaram. Serão construídos dois canais - os eixos Norte e Leste - que levarão água do rio para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O Eixo Norte sairá do município pernambucano de Cabrobó, percorrerá 400km até os rios Salgado e Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no Rio Grande do Norte; e Piranhas-Açu, na Paraíba e no Rio Grande do Norte.
Já o Eixo Leste começa na Barragem de Itaparica, em Floresta (PE), com destino ao Rio Paraíba, no estado da Paraíba. O segundo canal terá 220km. Cerca de 12,5 milhões de nordestinos devem ser beneficiados pela obra, nas estimativas oficiais.
Apesar da disposição do governo, a obra continua sendo alvo de críticas. "Revitalização não é transposição. O governo misturou o discurso para dar a idéia de que as resistências foram superadas, mas vamos nos manifestar", advertiu o sociólogo Rubens Siqueira, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Bahia. Ele prefere não falar em datas e locais das mobilizações programadas. Apesar das queixas, o sociólogo considera a ordem de serviço para início das obras um "estardalhaço".
Hoje, representantes do grupo de promotores que coordena o projeto em defesa do Rio São Francisco nos estados da Bahia, Goiás, Sergipe, Pernambuco e Minas Gerais devem chegar em Brasília. Eles vêm pedir ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que entre com nova liminar questionando a licença de instalação das obras, concedida em março pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
CB, 12/06/2007, Brasil, p. 11
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.