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Lula pede paciência e Bastos, perdão a índios

O Globo, O País, p. 5
20 de abr de 2005

Lula pede paciência e Bastos, perdão a índios

Luiza Damé

Na comemoração do Dia do Índio, ontem, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu paciência aos povos indígenas para que o governo consiga cumprir as metas da Funai. Para Lula, é compromisso moral e ético dar tratamento digno aos índios, o que inclui não só a demarcação de terras, mas a oferta de programas sociais e infra-estrutura nas aldeias. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, repetiu o gesto de Lula na África e pediu perdão aos índios brasileiros pelo tratamento recebido ao longo dos anos.
- Vai levar muitos anos para que a gente consiga devolver aquilo que foi tirado de vocês. Essas coisas não acontecem do dia para a noite, com a rapidez que vocês desejam e que é necessária, com a rapidez que é a vontade do presidente da República e de seu governo. Porque entre a vontade de fazer, entre a justeza da reivindicação, a necessidade da homologação e a demarcação das terras, temos um longo caminho a percorrer, que muitas vezes não depende de nós - disse Lula.
Presidente assina homologação de reservas
O presidente assinou a homologação de cinco terras indígenas nos estados de Tocantins, Amazonas, Maranhão, Pará e Roraima, num total de 224 mil hectares para 900 índios de seis etnias. O cacique Jaci Makuxi, da Raposa Serra do Sol, agradeceu a homologação da reserva em área contínua, assinada na semana passada. O cacique deu a Lula um boné de fibra de buriti e uma panela de barro.
O cacique caiapó Raoni pediu mais atenção aos povos indígenas e o fim da violência contra os índios. Falando em caiapó, depois de dançar em frente ao presidente, sugeriu que a Funai volte a coordenar ações de saúde e educação nas aldeias.
Márcio Thomaz Bastos afirmou que o pedido de perdão não é apenas verbal e citou a homologação de terras como um gesto concreto. Lembrou que na semana passada Lula fez o mesmo gesto na África pelos atos de violência contra os negros durante a escravidão.
- Estamos pedindo perdão às nações indígenas pelo esmagamento, pela violência e pela força bruta que contra eles se levantaram - disse Bastos.
Lula ressaltou que os programas sociais do governo têm que ser implantados nas aldeias para evitar que crianças indígenas morram por desnutrição e outras doenças.
- Queremos ver se parte da terra pode se transformar em produtiva para que índios possam viver condignamente. Por muitos e muitos anos, na escola brasileira, falou-se que o índio era preguiçoso, por isso o Brasil tinha que importar escravos da África, quando na verdade o que vocês querem é o que quer qualquer cidadão digno do mundo: oportunidade de provar que são capazes de viver por própria conta e às custas do próprio trabalho - disse Lula.

O Globo, 20/04/2005, O País, p. 5

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