O Globo, Economia, p. 36
07 de Mai de 2010
Lula incita Pará a brigar por usina
Belo Monte levará desenvolvimento, diz. Projetos do PAC receberam R$ 123 bi do BNDES
Fábio Fabrini
Enviado especial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem o Pará a se engajar em uma "briga nacional" em defesa da usina de Belo Monte, alvo de críticas de ambientalistas. Em visita ao estado, ele condicionou o desenvolvimento local à implantação da hidrelétrica, pois levará a indústria à região amazônica, historicamente fornecedora de matérias-primas como minério de ferro, madeira e bauxita.
- Belo Monte é importante para o desenvolvimento do Brasil? Belo Monte é importante para o desenvolvimento do Pará? Ou o Pará quer continuar a ser apenas exportador de minério? O Pará tem que fazer uma briga nacional - disse ele, após evento em Tomé-Açu, no qual lançou o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo.
Referindo-se às críticas ao projeto, o presidente ressaltou que a preocupação ambiental é muito maior hoje do que no passado.
Lembrou que o lago de Belo Monte ocupará menos da metade da área prevista originalmente e que investimentos estão sendo feitos em compensações:
- Temos R$ 3,5 bilhões para as áreas ambiental e social, não é pouca coisa. Aprendemos a não repetir as mazelas do que foi feito na década de 60, na década de 70, quando as pessoas eram simplesmente expropriadas de suas terras e ficavam ao deus-dará.
Em entrevista ao jornal "Diário do Pará", Lula negou que Belo Monte tenha sido imposta à sociedade. À tarde, em Belém, Lula esteve com prefeitos que integram o Consórcio Belo Monte, favorável ao empreendimento.
Segundo a assessoria do governo do Pará, ele disse que "o Brasil não quer intromissão de gente de fora" no processo de construção, em referência a James Cameron, diretor de "Avatar", que protestou contra a usina. O presidente afirmou que, sem a usina, o crescimento vai para o "beleléu".
Com investimentos totais estimados em R$ 216,2 bilhões, os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já receberam do BNDES R$ 123,2 bilhões. O volume de projetos em carteira chega a 323, dos quais 165 em energia, 77 em logística, 65 na área social e urbana e 16 na administração pública.
"Projetos com carimbo do PAC tem prioridade"
Entre os destaques do ano passado está o financiamento liberado à Petrobras, de R$ 25 bilhões. Em seguida vieram os desembolsos para as hidrelétricas de Jirau (R$ 7,2 bilhões) e de Santo Antônio (R$ 6,1 bilhões).
- Os projetos com carimbo do PAC têm prioridade no banco - disse o diretor da Área de Infraestrutura do BNDES, Wagner Bittencourt.
Os sócios da hidrelétrica de Belo Monte ainda não entraram com pedidos de financiamento junto ao banco.
A Light registrou lucro líquido de R$ 120,6 milhões no primeiro trimestre, 28,4% menor que o obtido em igual período do ano passado. Segundo a companhia, o resultado menor se deveu ao aumento de custos e despesas. O consumo de energia na área de concessão da Light cresceu 9,5%, e a a receita líquida foi de R$ 1,59 bilhão, alta de 10,2%.
Colaboraram Liana Melo e Ramona Ordoñez
O Globo, 07/05/2010, Economia, p. 36
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