VOLTAR

Lula diz que espera decidir homologação em fevereiro

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
05 de Jan de 2004

A audiência do governador Ottomar Pinto com o presidente da República, Lula da Silva (PT), para tratar sobre a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, estendeu-se por mais de uma hora. A atenção dispensada pelo presidente a cada um dos interlocutores foi ponto marcante no encontro. Durante a reunião, o presidente admitiu estar recebendo pressões internas e externas e que pretende decidir a questão em fevereiro, atendendo ao interesse nacional.
A audiência começou às 18h30 (Brasília). O governador estava acompanhado pelos senadores Mozarildo Cavalcanti (PPS) e Augusto Botelho (PDT), os deputados federais Chico Rodrigues (PFL) e Almir Sá (PL), do agrônomo Daniel Gianluppi e do indígena Jonas Marcolino. Lá também estava o ministro da Articulação Política, Aldo Rabelo.
Autor da ação cautelar que motivou a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, impedindo qualquer iniciativa anterior ao julgamento do Supremo, o senador Mozarildo disse que a reunião foi cordial, que valeu pelo fato de Ottomar Pinto ter exposto sua posição como governador diante da situação que envolve a reserva.
"O presidente prometeu que irá chamar novamente o governador e a bancada federal de Roraima para apresentar a proposta do Governo Federal em relação à reserva indígena Raposa/Serra do Sol. Ele quer resolver a questão o mais rápido possível, buscando atender a maior parte dos interesses que estão envolvidos", disse o senador. Ele acrescentou que o presidente foi cauteloso em suas declarações e nada adiantou sobre qual seria a proposta do governo.
Ainda de acordo com Mozarildo, Jonas Marcolino foi a voz indígena na reunião e fez uma declaração que sensibilizou o presidente, quando falou sobre a realidade do que é ser índio na área em questão. Na avaliação do senador, talvez o presidente não tenha demarcado a reserva conforme a Justiça sinalizou em algumas decisões, por causa das pressões que vem recebendo, principalmente as externas.
Para o deputado Chico Rodrigues, a reunião foi proveitosa. Disse que o governador falou sobre os problemas que poderiam acontecer em virtude da homologação em área contínua. O parlamentar teria percebido a curiosidade do presidente quando Ottomar Pinto discorreu sobre a incidência mineral em Roraima, formando um arco ao longo da fronteira internacional, coincidentemente nas mesmas áreas onde estão as reservas indígenas homologadas ou pretendidas.
Neste ponto, o parlamentar teria pedido um aparte para declarar: "Isso me preocupa, presidente, porque deixa nossas fronteiras vulneráveis, pondo em risco até a soberania do país, tendo em vista as pressões que o governo brasileiro tem recebido". Chico Rodrigues informou que Lula teria admitido as pressões, afirmando que não irá decidir sob pressão e completou: "Vão prevalecer os interesses nacionais".
Conforme o deputado pefelista, em momento de desabafo Lula teria dito que estava com a paciência esgotada, porque em todas as reuniões que participa, seja na ONU, na Europa ou outro lugar, é abordado com perguntas sobre a homologação e arrematou: "Essa é uma questão que deverei definir o mais rápido possível, quando voltar da viagem que farei ao Haiti em fevereiro, adotando uma posição que seja boa para todo mundo".
Na avaliação do deputado Almir Sá, o governador também foi feliz quando falou da necessidade de preservação das áreas para rizicultura, tendo em vista o projeto de desenvolvimento para Roraima e aproveitou para pedir a regularização fundiária de todo o Estado.
"O presidente vai novamente ouvir todas as partes e está disposto a resolver a questão com rapidez e definitivamente. Pedimos uma decisão consensual que atendesse aos interesses de todos os segmentos e essa foi a idéia transmitida pelo presidente. Já tive outras audiências com ele, mas esta foi a melhor", declarou Almir Sá

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.