OESP, Nacional, p.A9
11 de Mai de 2004
Lula conversa com índios e critica Justiça Presidente afirma que juízes impedem governo de agir concedendo liminares
TÂNIA MONTEIRO
BRASÍLIA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao receber ontem representantes de comunidades indígenas que reivindicaram a demarcação de mais de cem reservas, criticou a atuação do Judiciário para justificar a demora do Executivo em atender aos pedidos dos índios.
Na conversa, gravada por alguns dos indígenas, Lula disse que muitas vezes o Judiciário concede liminares que impedem o governo de agir e citou como exemplo a proibição dos bingos: Eu proibi o bingo, fiz uma medida provisória proibindo o bingo, e eles (os exploradores do jogo) conseguem uma liminar em um Estado e o colocam para funcionar. O presidente comentou que em 11 Estados já foram concedidas liminares liberando o jogo.
Pouco antes, Lula recebeu um cocar e, sem se preocupar com as superstições dos políticos de que o uso de cocar dá má sorte, colocou-o na cabeça. Então, vocês conhecem o poder (da Justiça), não precisa eu aqui estar justificando, desabafou. Vocês sabem o poder que tem um juiz em uma cidade. Recentemente, Lula adiou a homologação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, obrigado por uma liminar concedida por um juiz daquele Estado.
O discurso de Lula aos índios não foi divulgado pelo Palácio do Planalto, apesar de a assessoria ter informado, anteriormente, que seria distribuído aos jornalistas.
O presidente pediu confiança e paciência aos índios, explicando que, depois de ganhar as eleições e tomar posse, montar toda uma estrutura de administração exige tempo e não é uma coisa fácil. Mas, segundo ele, hoje está muito mais fácil para todo o conjunto do governo ir tomando posição do que estava seis meses atrás, oito meses atrás.
O vice-prefeito de Barreirinhas, no Amazonas, Messias Satere-Mawe, disse que Lula falou da grande dívida social que recebeu e lembrou que com um ano e quatro meses de governo não pode resolver tudo.
Sobre a demarcação da Raposa Serra do Sol, Lula disse que este mês, com certeza, haverá uma decisão, conforme informou a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC). Lula não quer passar para a história como um presidente que tomou decisões que desagradassem à causa indígena, disse a deputada.
Os índios pediram a Lula, ainda, que criasse uma secretaria especial do índio, com status de ministério. O presidente, no entanto, não deu nenhuma resposta positiva.
OESP, 11/05/2004, p. A9
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