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Línguas em extinção

A Crítica-Manaus-AM
21 de mai de 2006

Grupo de crianças Tenharin, uma das etnias cuja língua pode desaparecer

Pesquisas científicas afirmam que a maioria das línguas indígenas do Amazonas corre perigo de desaparecer. Mundurucu, Parintintim, Dessana, Banauá, Juma, Tariana, Uerekena e Baré são alguns dos idiomas que correm o risco de ser extintos daqui a alguns anos. "A gente mede esse perigo de acordo com as crianças falantes.

Quanto menos crianças falando nas aldeias, maior o risco dessa língua desaparecer", afirma a doutora em Lingüística e Antropologia, Ana Carla Bruno, que também é pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais (NPCHS) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O quadro mostra que alguns povos deixaram de falar sua língua nativa e passaram a usar o idioma de outras etnias. Uns só entendem, mas não falam. Um trabalho de resgate dessas línguas começou a ser feito no município de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus).

Desde 2002, o Baniwa, o Nheengatu e o Tucano passaram a ser obrigatórios nas repartições públicas municipais, além do Português. "Esta é uma iniciativa inédita no País", diz a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ivani Ferreira de Faria, que acompanha a discussão com as comunidades indígenas desde 1993.

Estima-se que 1,5 mil línguas eram faladas no País no período colonial. Apenas 25% desse total sobrevive.

Há aproximadamente 180 idiomas indígenas no Brasil. Desses, 76 estão distribuídos no Amazonas em 73 etnias.

Para agravar ainda mais a situação, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que para uma língua ser considerada consolidada, são necessários cem mil falantes para garantir sua passagem às gerações seguintes.

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