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Liminar manda índios desocuparem Carajás

CB, Economia, p. 23
19 de Out de 2006

Liminar manda índios desocuparem Carajás

A Companhia Vale do Rio Doce pediu na Justiça, ontem, e obteve liminar (decisão provisória) de reintegração de posse do núcleo urbano de Carajás, no sudeste do Pará, invadido e ocupado há dois dias por cerca de 300 índios Xicrin das aldeias Cateté e Djudjeko. A empresa vai entrar, também, com uma representação criminal perante a Delegacia de Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, cobrando a apuração das alegadas condutas criminosas dos índios.

No local vivem e trabalham quinze mil pessoas. Os índios reivindicam mais recursos para investir em sua aldeia, por conta de um acordo firmado com a empresa em troca de permissão pela passagem da ferrovia de Carajás por suas terras.

A empresa acusa os índios de violência e constrangimento contra seus empregados e alega que vem cumprindo o acordo firmado com a tribo, repassando a eles R$ 9 milhões por ano. Funcionários da Vale disseram que os índios chegaram ao núcleo urbano no final da tarde, armados de arcos, flechas e bordunas, divididos em grupos.

Os principais pontos da ferrovia foram ocupados e os empregados impedidos de deixar o local. Quem tentou sair teve seus objetos pessoais tomados pelos índios. O restaurante e a despensa com alimentos foram saqueados.

Os índios também se apoderaram de rádios de comunicação e das chaves dos ônibus que levariam os funcionários para suas residências. Mais de 600 pessoas ficaram retidas até as 22 horas da terça-feira, quando os índios decidiram liberá-las.

As atividades na ferrovia e em outros setores da empresa foram suspensas na manhã da última terça-feira depois que os índios impediram a entrada de cinco mil empregados.

O problema estaria em dívidas contraídas pelos índios no comércio de Redenção, Parauapebas e Marabá. Eles compram alimentos e bebidas e estariam devendo mais de R$ 2 milhões, que agora alegam não poder pagar.

Mesmo com a ordem da Justiça para a desocupação da área, que inclui a liberação da ferrovia e das locomotivas usadas no transporte de minério de ferro do Pará até o porto de Itaqui, no Maranhão, os índios garantem que não vão sair.

CB, 19/10/2006, Economia, p. 23

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