OESP, Internacional, p. A16
11 de Jun de 2009
Lima vive tensão com alguns países vizinhos
João Paulo Charleaux
As turbulências internas vividas pelo Peru desde sexta-feira - quando um conflito entre indígenas e militares deixou mais de 30 mortos - vieram acompanhadas do aumento dos atritos entre Lima e outros três países da América Latina: Chile, Bolívia e Nicarágua.
A tensão mais antiga é com os chilenos, de quem o governo peruano reivindica a posse de uma área de 95 mil quilômetros quadrados no Oceano Pacífico. A zona é disputada desde a Guerra do Pacífico (1879-1884) e, em março, García apresentou uma demanda contra o Chile no Tribunal Internacional de Haia.
Se sair vencedor, o Peru inviabilizaria qualquer demanda da Bolívia por uma saída ao mar, o que provocou a reação imediata do presidente boliviano, Evo Morales. "Quando o governo peruano escutou que haveria um corredor na fronteira entre Chile e Peru, rapidamente apresentou sua demanda em Haia", reclamou Evo.
O presidente boliviano disse ter "profundas diferenças ideológicas, programáticas e culturais com Alan García" e chegou a afirmar que "a gordura" do peruano prejudicava sua capacidade de raciocínio. José García Belaúnde, chanceler do Peru, respondeu chamando Evo de "um grande demagogo".
No mês passado, o Peru irritou ainda mais os bolivianos ao conceder refúgio a três ex-ministros do governo do ex-presidente da Bolívia Gonzalo Sánchez de Lozada, acusado de "genocídio" pela morte de mais de 60 pessoas durante a onda de protestos de 2003, que ficou conhecida como "Outubro Negro".
Esta semana, quando o líder indígena peruano Alberto Pizango - acusado de ser responsável pela morte de 24 policiais no norte do Peru - desapareceu do radar da Justiça, Lima apressou-se em sugerir que a Bolívia estivesse dando o troco e oferecendo asilo ao fugitivo. Mas Pizango reapareceu na Embaixada da Nicarágua em Lima, onde pediu asilo político sob a alegação de estar sendo perseguido por García.
O presidente peruano disse ontem que pretende respeitar a decisão do governo nicaraguense, mas chamou a atenção para o fato de outras três embaixadas - dos EUA, da França e da Bolívia - terem recusado o pedido de asilo feito por Pizango anteriormente.
OESP, 11/06/2009, Internacional, p. A16
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