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Lideranças yanomami estão em Brasília para discutir saúde indígena e mineração

Folha de Boa Vista
27 de Fev de 2008

Lideranças dos índios yanomami estão em Brasília articulando ações que possam resultar em melhoria no atendimento à saúde dos povos indígenas de Roraima. A comitiva, que viajou no início da semana e deve voltar amanhã para Boa Vista, também vai denunciar o projeto de mineração do Governo Federal em áreas indígenas, uma vez que os yanomami se dizem contrários à proposta.

A comitiva tem a participação do presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Davi Kopenawa Yanomami, do presidente do Conselho Distrital de Saúde Yanomami e Ye´kuana (Desei), João Davi Yanomami, do tesoureiro da HAY, Dário Vitório Xirixana, secretário do Desei, Raul Luiz Yacashi Rocha, e de Ivan Xirixana, liderança do Uxiú e gestor da HAY.

Desde segunda-feira, eles estão percorrendo diversos órgãos federais como Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Fundação Nacional do Índio (Funai), além do Ministério Público Federal e o Congresso Nacional, para conversar sobre a problemática da saúde nas terras indígenas, sobretudo a yanomami. Em cada encontro, serão entregues cartas com as opiniões dos índios.

Nesta quarta-feira, a comitiva vai participar de uma reunião às 15h30 com representantes do Ministério do Trabalho e da Funasa. Amanhã, às 9h, eles terão um encontro com dirigentes da Funai.

Na pauta das reuniões, além da questão da saúde, há também a mineração em áreas indígenas. "Nós, yanomami, não queremos mineração, não queremos que ela seja feita em nossa terra. Nós já nos manifestamos contrários à Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), que o governo criou, mas resolveu ignorar criando, depois, a Comissão Especial para discutir a lei de mineração em terras indígenas. Se vocês brancos mostrarem um lugar onde os povos indígenas vivem realmente bem com a mineração, um lugar onde vivem com saúde, respeitando suas culturas, onde os brancos os ajudem de forma correta e não os enganem ao darem dinheiro, onde não passem fome e onde não passem sede, se virmos esse lugar, do mesmo tamanho que nossa terra-floresta, podemos voltar a discutir esse assunto", diz o trecho de uma das cartas que estão sendo entregues em Brasília por meio das lideranças indígenas.

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