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Lideranças indígenas se retiram e não conversam com presidente da Funai

Brasil Norte-Boa Vista-RR
08 de Jul de 2004

Lideranças indígenas das entidades Sodiur, Alidcir e Arikom, em torno de 20 tuxauas e mais 60 pessoas que os acompanhavam, retiraram-se da sede da Fundação Nacional do Índio, Funai, na manhã de ontem, onde teriam uma reunião com o presidente da entidade Mércio Gomes. O motivo, segundo eles, foi em protesto ao fato de ter sido barrada a presença do advogado e de jornalistas na reunião.
Na pauta com o presidente da Funai as lideranças indígenas tinham a apresentação de cinco reivindicações. Uma delas seria para expressar a inconformidade com a tencionada aplicação de 12 milhões de Reais em indenizações de fazendas que estão sub-judice.
O presidente da Sodiur, Silvestre Leocádio da Silva, explica que sua entidade é favorável à demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol em ilhas, por isso, assegura, que avinda do presidente da Funai a Roraima não significa nada para as comunidades que querem vê respeitadas a Lei e a Constituição.
"Em primeiro lugar a vinda dele a Roraima não significa nada. A demarcação da área é uma questão que está na Justiça . O que ele trouxe a Roraima foi um balde d'água para jogar no fogo. Nós soubemos que ele trouxe dinheiro para indenizar aos fazendeiros. Mais vai indenizar de que forma se tudo tramita na Justiça?", indagou.
Segundo explicou Silvestre da Silva, estava agendada para a manhã de ontem uma reunião com o presidente da Funai, mas que em protesto as lideranças se retiraram.
"Primeiro foi proibida a entrada de nosso advogado, o Valdemar. Depois solicitamos que a imprensa pudesse participar da reunião e não foi permitido. Então, nos retiramos. Será que ele quer nos enganar? Por isso não aceitamos conversar", disse.
Para Silvestre as Ong's, a Igreja Católica e a Funai têm interesse em que os índios não evoluam, não desenvolvam. "Eles não querem que progridamos. Porque temos que ser tutelados da Funai. É necessário que se mude a Lei e os índios possam se desenvolver. A Lei 6.001 está caduca. Não podemos ser tutela da Funai", ressalta.
Para a liderança, se já existe até um ministro negro, porque motivo, indaga ele, que os índios têm que estar tutelados?. "Nós temos índios fazendo mestrado, índios que passaram em concurso, que estão na PM, na Civil e várias instituições trabalhando. O que nós queremos é o progresso do nosso povo. Não queremos migalha", disse.
O tuxaua Anísio Pedrosa Lima, liderança da Alidcirr, disse que as lideranças iriam entregar um documento se destinando ao presidente da Funai com uma proposta das organizações indígenas.
Ele disse que é necessário acrescentar que pelo "fato do presidente não aceitar a presença do advogado e de jornalistas há uma desconfiança muito grande de nós, indígenas em relação ao presidente da Funai. Acredito que ele poderia distorcer o que ocorreu na reunião", disse.
"A vinda dele não faz nenhuma diferença, porque a questão está na Justiça e ele não pode passar por cima da Justiça. Nós vamos aguardar a decisão judicial. Sendo que se o caso está na Justiça, como ele faz oferta de indenização à fazendas? É Uma desacato à Justiça", disse.
A presidente da Alidcir Jucerlânia de Souza Lima, destacou que Mércio Gomes fala na imprensa que após a Raposa Terra do Sol ter sido delimitada pela Funai, as fazendas tinham título definitivo perderiam a validade.
"Isso é um grande desrespeito aos direitos humanos. Se essas pessoas moram há cem anos ali, só porque a Funai foi lá e delimitou o dono vai perder o direito?", disse.

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