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Lideranças indígenas rebatem acusações de um dos líderes da FOIRN

A Crítica (AM) - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Wallace Abreu
02 de Set de 2011

Documento sobre áreas com potencial mineral na região do município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, gera desentendimentos entre entidades, empresa canadense e indígenas da região Amazônica. Abrahão França, um dos diretores da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro diz que a instituição não foi consultada sobre processo de exploração mineral na região

O portal acrítica.com publicou uma matéria que apresentava uma nota de repúdio enviada por um dos diretores da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN), Abrahão França, sobre um memorando de entendimento entre a empresa mineradora do Canadá Cosigo Resources Ltda, e a Secretaria Estadual de Povos indígenas (Seind), para um inventário de áreas com potencial mineral na região do município de São Gabriel da Cachoeira.

Em entrevista ao acrítica.com, Abrahão França disse ter achado "estranho que a Seind não tenha consultado as bases" e que as pessoas que assinaram o memorando não representam as bases, que são as comunidades indígenas da região, e que as ações vem sendo tomadas sem a consulta aos indígenas. Diz tratar-se de um acordo ilegítimo e ilegal.

Resposta

Em busca do direito de resposta, lideranças indígenas da região procuraram a redação do portal para prestar esclarecimentos sobre as acusações feitas por França.

De acordo com os líderes, os índios das possíveis áreas onde serão realizados os inventários, estão sendo consultados e estão de acordo com a ação. Entre as pessoas que assinaram o memorando, que segundo França, não representam as bases, está um dos diretores da FOIRN, Irineu Lauriano Rodrigues Baniwa e há também líderes das comunidades, como Pedro Fernandes Machado da etnia Tukano.

Segundo Pedro, a FOIRN tinha conhecimento da ação e esta situação só enfraquece a força política indígena da região. "A FOIRN é formada por cinco representantes de bases da região de São Gabriel da Cachoeira e nenhum tem mais poder que outro. Apenas representam e defendem o direito de suas comunidades ", destaca o tukano.

Na carta, Abrahão França, em nome da FOIRN diz que reconhece que os acordantes representam apenas seus interesses particulares e que o representante de Pari-Cachoeira, no caso Pedro Fernandes Machado Tukano, faz parte de uma cooperativa agromineral que já assinou um memorando de entendimentos sobre a futura comercialização de créditos de carnobo em REDD com empresários espanhóis em 24 de novembro de 2008 em nome do distrito de Pari-Cachoeira.

Pedro desmente esta acusação e diz que estão trabalhando em prol do crescimento da geração de renda para sua comunidade. "Nunca fizemos nada isoladamente. Vários encontros foram feitos aqui em Manaus para discutirmos essa questão dos recursos minerais das reservas indígenas de São Gabriel da Cachoeira. Esse possível inventário não envolverá todas as áreas indígenas e a FOIRN está parada e por isso não está acompanhando essas. Todas as vezes que houve essas reuniões, eu fui convidado, e é por isso que venho", argumenta.

Irineu destaca que não se trata de um acordo e sim de uma possível negociação e que no memorando assinado, uma das cláusulas diz que caso a comunidade, os povos indígenas envolvidos não aceitem, o inventário não será feito. "Trabalhei sempre para representar meu povo. Nós queremos trabalhar e queremos crescer. O inventário será feito nas comunidades interessadas", conclui.

http://acritica.uol.com.br/amazonia/Amazonia-Amazonas-Liderancas-indige…

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