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Lideranças indígenas pedem socorro à Aleac

Jornal a Tribuna (AC)
Autor: Jairo Barbosa
07 de Mar de 2007

Depois de sumirem com cerca de R$ 300 mil, desviados das contas de convênios firmados entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a União das Nações Indígenas (UNI), os índios agora querem que o poder público pague uma dívida que não contraiu. Ontem, uma comissão, formada por várias lideranças indígenas, esteve na "casa do povo" à
busca de apoio político e financeiro. Os índios foram pedir a um grupo de deputados, liderados pelo presidente do Legislativo, Edvaldo Magalhães (PC do B), a intervenção no processo já concluído na Justiça, que determina a imediata desocupação da sede da UNI, na travessa Amazonas, 588, bairro Aviário, arrematada em leilão pelo advogado Gumercindo Cunha, que pagou R$ 32 mil pelo imóvel espera há mais de um ano pela desocupação. A sede da UNI foi levada a leilão em fevereiro de 2005 para a quitação de dívidas trabalhistas. Para os deputados, as lideranças indígenas disseram que a perda do imóvel representa um golpe muito grande na luta pelo reconhecimento dos direitos dos índios e praticamente coloca na rua uma das instituições que representa os povos indígenas nessa região da Amazônia. O cacique Manoel Kaxinawá, da Organização dos Povos Indígenas, garantiu que as etnias irão lutar até o fim para não perder o imóvel. "Se for preciso, a gente pega outra vez o arco e a flecha", avisou. O advogado da UNI, Fábio Porto, defendeu o diálogo como saída para a solução do problema. Ele reconheceu as dificuldades jurídicas para anulação da decisão judicial, mas está otimista quanto a uma conversa entre os deputados com o Ministério Público Federal, a Justiça do Trabalho e o advogado, novo dono do imóvel, para que possa colocar um fim no que chamou de "aflição para os povos indígenas". O presidente da Aleac também optou pelo otimismo. Lembrou que na política existe sempre uma
possibilidade mínima de reverter qualquer situação. "O papel da assembléia é um papel mediador. Nós vamos fazer um esforço, conversar, procurar entendimento para que a gente posse construir um ambiente novo para que neste ambiente se possa haver negociação e diálogo", observou. "O fato da ligação do advogado Gumercindo Cunha com a Frente
Popular pode pesar a favor dos indígenas", lembrou Edvaldo. Não ficou definido, no entanto, quando haverá uma conversa entre os deputados e os demais envolvidos na questão.

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