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Liderança do CIR critica nomeação feita para a Secretaria do Indígena

Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/fbv/noticia.php?id=73176
26 de Out de 2009

A liderança indígena Júlio Macuxi, da coordenação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), fez duras críticas, na tarde de ontem, à decisão do governador Anchieta Júnior (PSDB) de ter nomeado um não-indígena para a Secretaria Estadual do Índio (SEI). Ele referiu-se à substituição do indígena Jonas Marcolino pelo ex-prefeito de Pacaraima, Hipérion Oliveira, como "absurdo" e "preconceito".

As declarações de Júlio Macuxi foram durante o ato "Reage Roraima!", organizado por movimentos populares, sociais, sindicais e estudantis, no parlatório Hesmone Granjeiro, a 200 metros do Palácio do Governo, na Praça do Centro Cívico.

Cada representante teve três minutos para falar, e o representante do CIR usou a palavra para criticar a condução da Secretaria do Índio. Desde que foi criada em 2000, mas só efetivada em junho de 2002, esta foi a primeira vez que um não-índio assume a pasta.

Júlio Macuxi prestou solidariedade aos movimentos sociais e sindicais que estavam na manifestação lutando por melhorias salariais e trabalhistas, além da luta dos sem-teto, professores, moradores do Jardim das Oliveiras e servidores municipais de saúde que ameaçam entrar em greve.

"O governo não está fazendo nada pela da saúde e educação. Se está assim na cidade, nas comunidades indígenas a situação é pior", discursou Macuxi, pontuando ainda que o Governo do Estado não está preocupado com o etnodesenvolvimento.

Segundo ele, o desafio dos povos indígenas neste momento é lutar contra a falta de políticas governamentais, dando uma resposta com a implementação do etnodesenvolvimento e também com a produção agrícola e pecuária das comunidades indígenas.

O movimento desta tarde foi em favor da Educação, Saúde, Justiça, Segurança Pública, trabalhador rural e situação das comunidades indígenas, organizado pelo Movimento Popular, Social e Sindical do Estado de Roraima.

"A Educação está um caos, apesar de todos os recursos que existem. E o governo pune os trabalhadores e estudantes que lutam por melhorias, descontando os salários dos trabalhadores em educação e impondo um calendário de reposição sem a participação da comunidade escolar", diz a carta pública distribuída durante o evento.

Com relação à saúde, o documento diz que a população sofre com a espera nas filas pelo atendimento, desvalorização dos profissionais, além de falta de equipamentos, medicamentos e estrutura física inadequada dos hospitais e postos de saúde.

"Na Segurança Pública há desvalorização e humilhação dos trabalhadores, bem como falta de estrutura operacional, que reflete no aumento da criminalidade e na falta de segurança do povo roraimense", relata o documento, que pontua ainda "abandono total" do trabalhar do campo e "situação precária" das comunidades indígenas, "longe de ser resolvida".

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