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Lider rural e morto em Pernambuco

O Globo, O Pais, p.14
23 de Mar de 2004

Líder rural é morto em Pernambuco
Letícia Lins
RECIFE. José Rosendo Alves da Costa, líder do assentamento Hebert de Souza, foi assassinado com três tiros na noite de domingo quando trabalhava na pequena mercearia que mantinha junto à sua residência, no município de Moreno, a 30 quilômetros de Recife.
A polícia informou ontem que já identificou o autor intelectual do crime e atribuiu o homicídio à luta de José Rosendo contra madeireiros que extraíam ilegalmente madeira de lei da reserva florestal do assentamento.
José Rosendo pertencia à Organização de Luta do Campo (OLC), um dos 14 movimentos que atuam na ocupação de terras na área rural do estado, e que coordena 15 assentamentos e 62 acampamentos em Pernambuco.
O sentimento de revolta é muito grande”
Segundo o coordenador da OLC, João Santos, José Rosendo Alves da Costa já havia denunciado que estava sendo ameaçado de morte às autoridades de Pernambuco.
— O sentimento de revolta é muito grande. Ele era uma pessoa muito querida e correta. Podemos dizer que a culpa desse caso é do estado devido à omissão com que o assunto foi tratado. Ele já havia denunciado a retirada ilegal de madeira da reserva do assentamento ao Incra, ao Ibama, à Polícia Militar e à Polícia Civil, mas nada foi feito — reclamou João Santos.
O delegado de Moreno, José Pedrosa, confirmou que o crime foi motivado pela questão da extração ilegal de madeira de lei da área de reserva de Mata Atlântica que fica no assentamento.
— A vítima era um intransigente defensor da mata. E tinha um grupo que insistia em retirar madeira, inclusive já tendo até trocado tiros com a polícia— afirmou Pedrosa.
Ele disse que já identificou os autores intelectuais do crime e que ontem foram presas duas pessoas suspeitas de terem executado o líder do assentamento. Os nomes ainda não foram divulgados para não prejudicar as investigações. Rosendo foi sepultado ontem à tarde.
Rosendo foi baleado pelas costa por dois pistoleiros
Além de cuidar do roçado, José Rosendo Alves da Costa tinha uma mercearia que nos finais de semana funcionava como um pequeno bar. Dois desconhecidos chegaram ao bar e pediram uma cerveja. Quando Rosendo foi buscar a garrafa de cerveja, foi baleado pelas costas. Os pistoleiros fugiram.
No ano passado, o líder do assentamento Brejo, Cícero Cândido da Silva, em Tamandaré -— litoral sul de Pernambuco -— também foi assassinado por conta de sua militância contra a ação de madeireiras nas reservas do assentamento em que vivia, a 108 quilômetros do Recife. Cícero era do MST. Dois homens que trabalhavam a serviço de madeireiras foram presos, e aguardam julgamento.
José Rosendo Alves da Costa deixa viúva e sete filhos.
O Globo, 23/03/2004, p. 14

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