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Líder kadiwéu aponta desafios no Mato Grosso do Sul

Dourados Agora-Dourados-MS
30 de Mar de 2006

Os desafios indígenas - um dos eixos de debate da 4ª Conferência
Nacional da Saúde Indígena - colocam-se de forma bem distinta entre as
etnias de Mato Grosso do Sul. Predominam os povos Guarani-Kaiowá,
Terena e Kadiwéu. Cerca de 200 famílias de índios guarani-kaiowá foram
retiradas da terra indígena Nhanderu Marangatu em dezembro do ano
passado. A situação das terras se mantém indefinida e o atendimento à
saúde se estrutura de forma precária.

Já os Kadiwéu, que têm a maior parte do seu território reconhecido e
homologado, conseguem discutir hoje a autonomia da gestão do Distrito
Sanitário Especial Indígena, que atende as três etnias, é também um
dos principais temas de debate na conferência.

"A saúde não se estrutura por completo, porque a gente não consegue
construir algo para quem ainda nem garantiu suas terras. O
investimento é de emergência. As famílias, que estão vulneráveis,
sofrem com a falta de saneamento nos acampamentos, a água que não é
potável e a desnutrição, que surge por causa disso, não só pela falta
de alimento", informou o presidente do Conselho Distrital de Saúde de
Mato Grosso do Sul, o auxiliar de enfermagem kadiwéu Hilário da Silva.

"Além disso, os territórios conquistados pelos Guarani-Kaiowá, em
Dourados, são pequenos para a vida dos indígenas. E essa está
comprometida. Não há mais troncos, nem mais árvores para construir
casas. Tudo está desmatado", disse ele.

Segundo Hilário, no Distrito Sanitário Especial Indígena, as
lideranças dos povos tentam se fortalecer para tratar das questões que
envolvem a terra, embora reconheçam que o distrito não tem como
legitimar esse direito.

"Os desafios vão se renovando, e os antigos também se mantêm, como a
falta de terra, e aí não há autonomia de um povo, de segurança
alimentar. Diferente do Amazonas, as aldeias têm mais proximidade com
as cidades. Ao mesmo tempo que a gente se organiza para fazer do
distrito um local para o indígena, muitos deles têm ido para a cidade.
Aí entra um novo problema: o SUS [Sistema Único de Saúde] passa a
atendê-lo e não dá conta do lado cultural, do respeito à tradição e à
escolha do indígena", afirmou.

Hilário ressaltou que os kadiwéu, por causa da garantia de terras, têm
mais condições de se organizar. "A gente só teve um caso grave de
desnutrição ano passado, que se resolveu com orientação para a mãe." O
atendimento é feito pela organização não-governamental (ONG) Missão
Caiuá, contratada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

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