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Levar produtividade agrícola para a pecuária é o desafio

OESP, Especial, Economia, p. H2
06 de Mai de 2010

Levar produtividade agrícola para a pecuária é o desafio
Melhora da eficiência dos criadores de gado possibilitaria um aumento da área de produção de grãos

Ana Conceição
Agência Estado

Após obter sucesso em elevar a produtividade das lavouras de grãos, os produtores do Centro-Oeste têm agora o desafio de fazer o mesmo com a pecuária. A melhora da eficiência entre os criadores poderia ampliar a área da produção de grãos na região, especialmente soja. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás são donos do maior rebanho bovino do País, com cerca de 70 milhões de cabeças, ou 34% do total, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O ex-ministro de Agricultura Reinhold Stephanes calcula que, em todo o País, 20% do território são dedicados à pecuária e 10% às lavouras. Ele acredita que o aumento da produtividade pecuária poderia liberar entre 50 milhões e 70 milhões de hectares nos próximos 10 a 15 anos para os grãos e a cana.
"É praticamente a mesma área que se usa para a produção de lavouras hoje", disse. "Isso pode ser obtido simplesmente com a melhora de tecnologia e a prática da criação intensiva", afirmou Stephanes durante o terceiro Fóruns Estadão Regiões, que tratou do Centro-Oeste.
O ex-ministro voltou a defender a tese de que não é necessário derrubar áreas de floresta para produzir mais grãos e carne. "No Centro-Oeste e parte do Nordeste, obedecendo-se rigorosamente a legislação ambiental, há 10 milhões de hectares para plantio de milho e soja." A cana também pode dobrar de área sobre regiões de pastagens. "A Embrapa já fez o mapeamento e o zoneamento."
Stephanes ressaltou que, embora o Brasil tenha sido o país que mais aumentou seus índices de eficiência no campo, ainda fica atrás de grandes produtores, como os Estados Unidos.
Segundo números apresentados por ele, nos últimos 20 anos as vendas externas do agronegócio cresceram a uma média de 4,4% ao ano, e três quartos desse crescimento resultaram do aumento de produtividade patrocinado pela inovação tecnológica. A eficiência interna tornou o País responsável por 25% das exportações agrícolas mundiais, porcentual que deve crescer para 33% nos próximos 15 anos.
Nas contas do presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, se cerca de 6 milhões dos 26 milhões de hectares de pastagens de Mato Grosso fossem convertidos em lavouras de milho e soja, o agronegócio do Estado agregaria mais R$ 10,6 bilhões em receita por ano. "Desde 2006 estamos com a mesma área de soja e com a produção sempre crescente. Temos batido recordes de produtividade. O momento, agora, é de fazer o mesmo com a pecuária."
De acordo com dados do Ministério da Agricultura, de 1990 a 2005 a produção de grãos no Brasil cresceu 131%. Nesse período, a área plantada foi ampliada em 16,1%, de 36,8 milhões para 43,9 milhões de hectares, elevação permitida graças ao aumento de 85,5% no índice de produtividade. Cálculo da pasta indica que, com pelo menos 90 milhões de terras agricultáveis ainda não utilizadas, o Brasil pode aumentar em cerca de três vezes sua produção de grãos, saltando dos atuais 140 milhões para 367,2 milhões de toneladas.
Allyson Paulinelli, ex-ministro de Agricultura do governo Ernesto Geisel (1974-1979), defende a ampliação e melhor aplicação de recursos em pesquisa e desenvolvimento para aumento de produtividade, em especial na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. "Se o Brasil hoje tem a melhor tecnologia, foi a Embrapa quem a criou."

OESP, 06/05/2010, Especial, Economia, p. H2

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100506/not_imp547692,0.php

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