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Leilão negocia 2.900 megawatts de energia produzida da biomassa

OESP, Economia, p. B6
14 de Ago de 2008

Leilão negocia 2.900 megawatts de energia produzida da biomassa

Renée Pereira

Depois de muitas idas-e-vindas, o governo promove hoje, via internet, o primeiro leilão de reservas para contratação de energia produzida da biomassa. A disputa vai ocorrer a partir das 10 horas e envolve a comercialização de 2.921 megawatts (MW) de energia para entrega a partir de 2009 e 2010.

No total, 44 empreendimentos vão participar do certame, a maioria do setor sucroalcooleiro. O número de inscritos, no entanto, foi decepcionante. A primeira habilitação teve 118 interessados, num total de 7.800 MW. Desses, apenas 89 foram considerados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aptos a participar do leilão. Nem todos, porém, aceitaram as condições oferecidas pelo governo, e declinaram.

Segundo o consultor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Onorio Kitayama, apesar de todos os esforços, não se conseguiu um consenso em relação a todos os problemas. Uma das principais divergências está associada à questão da conexão, cujo custo terá de ser dos produtores.

Além disso, o preço não foi considerado atrativo por todos os produtores, completou o presidente da Unica, Marcos Jank. O preço inicial para o leilão foi de R$ 157 o MWh. Na competição, esse valor vai caindo conforme os lances dos vendedores. "Esse valor ficou aquém do esperado", diz Jank.

A explicação é que o aquecimento do setor com a construção de novas unidades provocou uma "inflação nos investimentos". Isso fez com que os orçamentos fossem alterados, diz Kitayama. Junta-se a isso o atual momento de baixa rentabilidade do setor, com preços baixos do açúcar e do álcool. "Se os dois outros mercados não estão dando lucro, o produtor vai entrar num terceiro que também não dá?", questiona.

Para o governo, porém, o preço é bastante atrativo. Na avaliação do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o número de participantes abaixo dos 118 iniciais não significa fracasso. "É sempre assim: numa primeira chamada surgem vários interessados, mas no meio do caminho eles seguem rumos diferentes. Alguns preferem, inclusive, vender a energia no mercado livre."

Segundo Tolmasquim, esse leilão é de extrema importância para o sistema elétrico porque as usinas vão produzir energia durante a safra, entre maio e novembro, período seco das hidrelétricas. Ou seja, essa energia produzida a partir da cana-de-açúcar vai permitir que as usinas preservem os reservatórios. O executivo não descartou a hipótese de um novo leilão no futuro. Potencial não falta.

Segundo a Unica, das 400 usinas no País, cerca de 210 estariam dispostos a investir na produção de energia elétrica feita da cana. Dessas, 104 estão no Estado de São Paulo e 33 em Minas Gerais - principal centro consumidor do País.

OESP, 14/08/2008, Economia, p. B6

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