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Lafarge inaugura ecofabrica

GM, Meio Ambiente, p.A8
10 de Nov de 2004

Lafarge inaugura ecofábrica
A unidade produtora de cimento trabalha com rejeitos nobres. O grupo francês Lafarge, que é o maior produto de cimento no mundo, inaugurou ontem, no município de Matozinhos, na região Belo Horizonte, a readaptação de sua fábrica de cimento que passará a produzir 700 mil toneladas anuais com quase todo o material reciclado ou reaproveitado de outras indústrias. Nesse sentido, contará com a contribuição de empresas que refugam insumos de alta qualidade, mas que não atendem às especificações de seus processos industriais. Segundo o seu presidente, Jorge M. Bouhid, foram investidos R$60 milhões nas obras, que incluíram a modernização do sistema de expedição e a construção de um novo silo.
Batizada com o nome de Ecofábrica, a unidade foi apresentada como modelo na preservação de recursos ambientais para as outras fábricas do grupo, que estão instaladas em 75 países, em cinco continentes. As 600 mil toneladas de calcário, por exemplo, que constituem sua principal matéria-prima, serão fornecidas por uma indústria vizinha, a Calmit, do Grupo Votorantim, empresa que exige uma alvura especial na produção da cal. O segundo material mais consumido é o carvão vegetal (60 mil toneladas), utilizado como combustível e que vem das usinas de ferro-gusa do município de Sete Lagoas, onde os fornos rejeitam madeira de pouca espessura.
Quase a metade das 28 mil toneladas de gesso, que é o terceiro material mais utilizado, surge em forma sintética nos fornos da indústria de fertilizante Fosfértil, no município de Uberaba, no Triângulo Mineiro ou é extraída dos moldes usados pela indústria de louça sanitária. Por último, vem da siderúrgica Usiminas - a preço reduzido, como os outros insumos - as 280 mil toneladas de escória utilizadas na produção do cimento. Apenas dois outros recursos não renováveis continuam retirados da natureza: a areia, que representa 2,5% de toda a matéria-prima e o coque do petróleo, que responde por 20% da energia utilizada.
Este último material, porém, está com os dias contados. A partir do próximo mês, o coque será substituído pela queima de 1,2 milhão de pneus inservíveis de automóveis, tratores e caminhões. Nesse caso, porém, a economia será maior, pois a Lafarge pretende cobrar, dos fabricantes, pela queima do material, exigida por leis ambientais. Em 2005, as indústrias de pneus deverão apresentar atestados, prestando contas da destinação ecologicamente correta do equivalente a 125% do que produziram durante o ano. "Estamos investindo nessa atividade ambiental e teremos de ser remunerados por isso", explicou o gerente geral da fábrica, Walter Garcia.
As obras foram inauguradas ontem pela manhã com a presença das principais autoridades ambientais e econômicas do governo de Minas, que percorreram todas as instalações, começando pelo novo silo de cimento, com capacidade para armazenagem de 30 mil toneladas. Em seguida, percorreram a unidade de expedição, que contará com duas novas ensacadeiras automáticas, uma com capacidade para encher 2.400 sacos por hora e outra com capacidade para 3.600 sacos. Graças a esses equipamentos e a novos paletizadores, consegue-se carregar um caminhão com 300 sacos em apenas sete minutos. Em 15 minutos, um vagão ferroviário estará pronto para ser despachado.
Por último, visitaram as unidades de co-processamento, nas quais são destruídos resíduos industriais nos fornos de cimento, substituindo em parte os combustíveis utilizados no processo de fabricação, dando o destino correto a vários passivos ambientais gerados por outras indústrias, como pneus. A empresa pretende destruir 120 mil toneladas de resíduos por ano, incluindo rejeitos de tintas da indústria automobilística e material sólido recolhido nas usinas de tratamento de esgotos.
O presidente da Lafarge no Brasil mostrou-se particularmente satisfeito com os benefícios para a sociedade e para a empresa, ao reduzir em 95% o consumo de recursos naturais não-renováveis. Em entrevista a este jornal, não quis destacar a economia que a empresa terá nos seus custos de produção com a utilização de material reaproveitado, preferindo lembrar que os preços do cimento não são reajustados desde dezembro de 2002 e que a tonelada do produto, no Brasil, custa US$60 dólares, sendo o mais barato da América Latina.
Segundo informou, a empresa produz atualmente 2,8 milhões de tonelada em suas cinco fábricas no Brasil, mas teria capacidade de chegar quatro milhões de toneladas, se houvesse consumo. A empresa a responde por cerca de 8% por cento da produção nacional e o seu principal o consumidor, com mais de metade da demanda, é o chamado "formiguinha". Trata-se do cidadão de baixa renda que compra o cimento para construir sua pequena moradia.
A empresa alimenta grande expectativa na retomada das obras de infraestrutura no país e, segundo Bouhid, a Lafarge tem interesse em participar das Parcerias Público-Privadas, associando-se, sobretudo, na construção de hidrelétricas e rodovias. "Mas nenhuma decisão pode ser tomada, antes que o governo apresente a lei que regulamentará a atividade", explicou.
O Grupo Lafarge é o maior produtor mundial de cimento.

GM, 10/11/2004, p. A8

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