GM, Saneamento & Meio Ambiente, p. A11
12 de Mar de 2004
Lafarge dedica-se a um projeto para recuperar rios no norte de Minas
Durante a estação seca, a população do município de Glaucilândia, a 450 quilômetros de Belo Horizonte (MG) tem nos poços artesianos e caminhões pipa as únicas fontes de abastecimento de água. Para amenizar o problema, a Lafarge Brasil, empresa do setor de cimentos, investiu R$ 150 mil em um conjunto de barragens que será inaugurado hoje, na região. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e com a prefeitura local.
Foram construídas 12 barragens de concreto na sub-bacia do rio das Pedras, que faz parte da bacia hidrográfica do Rio Verde Grande, afluente do Rio São Francisco. O projeto incluiu ainda a construção de 80 barragens de terra batida nas drenagens naturais do rio, com o objetivo de devolver a perenidade ao rio das Pedras. Foram ainda colocados 12 quilômetros de cercas para proteção de matas ciliares e plantadas algo em torno de 5 mil mudas de árvores frutíferas e nativas do cerrado, como aroeira, angico e cedro. As espécies permitirão a recomposição das matas no entorno dos rios, córregos, nascentes e lagos que compõem a sub-bacia.
Além de estar localizada em uma região semi-árida do norte de Minas, a cidade de Glaucilândia, predominantemente rural, com uma população de cerca de 2.800 pessoas, enfrenta a escassez hídrica decorrente de problemas como o assoreamento dos rios e o mau uso do solo. Inicialmente um projeto da Emater, as obras começaram em 2002 e foram executadas pela própria comunidade.
"O projeto teve o objetivo de aproveitar a peculiaridade da natureza da região, que possui épocas de picos de chuvas e períodos de estiagem longos. As barragens visam armazenar as águas do período chuvoso, que eram perdidas na estação seca", explica Francisco Leme, diretor de projetos especiais e de meio ambiente da Lafarge Brasil. As barragens retêm as águas e asseguram uma vazão constante, que pode ser controlada ao longo do ano.
Outro cuidado necessário foi a colocação de cercas para proteção das mudas plantadas pois, de outra forma, elas ficariam desprotegidas dos animais, que na região são criados de forma extensiva.
Inscrições rupestres
O projeto pioneiro de caráter ambiental da Lafarge foi no município de Matosinhos (MG), região de formação calcárea e concentração de águas subterrâneas. Foi feito um mapeamento das características da região, abrangendo itens como flora, fauna, cavernas e rios subterrâneos. De acordo com Leme, foram descobertas inscrições rupestres na Gruta do Balé, localizada em terreno de propriedade da Lafarge. As inscrições mostravam cenas do cotidiano e a evolução da reprodução humana, com representação, inclusive, da cena do parto. "Estavam degradadas, e foi necessária a limpeza do local e despoluição das imagens, um verdadeiro patrimônio arqueológico", diz. Hoje o local é aberto para visitas monitoradas e conta com guarda montada para prevenir depredações.
A Lafarge, grupo francês que possui sete unidades no Brasil, tem investido também no coprocessamento de resíduos industriais, com o objetivo de minimizar os impactos ambientais da produção de cimento e materiais de construção. Em 2003, foram destruídas 25 mil toneladas de resíduos, entre pneus, plásticos, estopas e borras oleosas. Desse total, um milhão de pneus foram incinerados a 1.500oC, substituindo parcialmente o coque de petróleo como combustível nos processos industriais. Os demais resíduos são coprocessados em conjunto com as matérias-primas na fabricação do cimento. "Conseguimos economia no consumo de combustível, apesar dos altos custos da incineração, compensados em parte pela cobrança feita ao gerador do resíduo", explica Leme.
kicker: Programa deverá beneficiar 600 famílias e recuperar matas ciliares do Rio das Pedras
GM, 12-14/03/2004, Saneamento & Meio Ambiente, p. A11
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.