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Kroll versus Amazonia

JB, Outras Opinioes, p.A11
Autor: SILVA, Gilberto Alves da
07 de Out de 2004

Kroll versus Amazônia
Gilberto Alves da Silva
Professor
O governo federal está finalizando o texto de um projeto de lei elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente e que, no momento, está sendo ajustada na Casa Civil, que prevê a privatização de áreas de floresta localizadas em terras públicas, sejam do governo federal, de estados ou municípios.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, para a produção de forma sustentável dos 30 milhões de metros cúbicos de madeira que são consumidos anualmente na Amazônia, será preciso abrir à iniciativa privada para exploração algo em torno de 50 milhões de hectares de florestas.
A preocupação não está na concessão de áreas para a exploração. Aliás, esta é uma posição defendida pela maioria dos produtores florestais. A preocupação está no mecanismo para estas concessões.
As ONGs internacionais, como a WWF, Greenpace e Friends of Earth têm demonstrado interesse neste procedimento, já que estão interessadas em gerar enormes lucros para seus próprios caixas - são elas as fundadoras e controladoras do selo verde FSC - em acordo tácito com as grandes madeireiras internacionais que, com seu poderio econômico, ganhariam praticamente todas as concessões.
Entretanto, numa análise mais profunda, chegaremos à outra conclusão, bem mais ameaçadora à nossa soberania. Nesta altura, muitos que nos lêem devem estar intrigados com o título do trabalho e perguntam o que tem a Kroll com a Amazônia?
Inicialmente, vejamos qual a implicação desta empresa no nosso contexto. Para isto, vamos caracterizá-la, fazendo a seguinte pergunta: o que é a Kroll Associates? Esta empresa possui importantes conexões com os centros de poder de Washington e Londres e, entre estas conexões, as que nos interessam são aquelas mantidas com o aparato ambientalista internacional, suas ''conexões verdes''.
Na década de 70, os governos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos iniciaram um processo de privatização de parte dos seus serviços de inteligência, com o objetivo de efetuarem operações clandestinas e sensíveis sem o risco de comprometerem as suas agências oficiais e seus respectivos governos.
Dentro deste panorama surgiram, entre as várias empresas, a Kroll Associates, em 1972, e a Control Risks Group(CGR) britânica, em 1974. Além de haver um intercâmbio de quadros freqüentes, os efetivos destas empresas são recrutados entre os funcionários das diversas agências de inteligência e forças especiais dos dois países, como CIA, DIA, FBI, MI-6.
Apesar de serem empresas privadas, efetuando serviços para contratantes privados, seus funcionários mantêm estreitos vínculos com as suas instituições de origem, promovendo uma ativa troca de informações.
O diretor mundial de investigação da Kroll, oficial de inteligência da Força Aérea dos EUA, foi transferido para o Departamento de Assuntos Latino-Americanos da CIA, em cuja condição serviu na embaixada em Buenos Aires.
Em nosso país, as várias funções do Estado, infelizmente, foram terceirizadas para as ONGs, na maioria das vezes, vinculadas a interesses estrangeiros, especialmente nas áreas da política ambiental e indigenista. Podemos exemplificar a parceria feita, em 1998, entre o Banco Mundial e a WWF, a Aliança para a Conservação e Uso Sustentável das Florestas, à qual o Brasil logo aderiu.
Segundo o próprio WWF, o objetivo desta parceria é manter 50% da Amazônia brasileira sob ''proteção legal''. Entenda-se: impedida de ter qualquer desenvolvimento econômico que não seja o extrativismo, aí incluindo as reservas indígenas da região.
Há uma forte ligação da Kroll Associates com a WWF. Recente reportagem sobre segurança corporativa no país mostrou que, em em setembro de 2000, o então diretor do escritório da Kroll Associates no Brasil, após sua aposentadoria das Forças Armadas britânicas, participou das operações da organização ambiental WWF de repressão à caça ilícita de elefantes e rinocerontes na África por contrabandistas de marfim. Desde 1992, ele tem estudado os problemas de segurança da América Latina.
O que pretendo mostrar é que tanto a Kroll como a WWF atuam no Brasil, e que o interesse estrangeiro pela Amazônia sempre foi muito grande e, ainda mais, que as ONGs internacionais estão presentes a trabalho das grandes potências. Portanto, faz-se necessário que todos os acordos, participações das ONGs e outras instituições nesta área sejam cuidadosamente estudados, para que a nossa soberania não venha ser atingida.

JB, 07/10/2004, p. A11

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