Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
26 de Set de 2004
A reunião realizada ontem pela manhã na sede da Associação de Magistrados de Roraima (Amarr), serviu para definir estratégias que visam garantir a tranqüilidade das eleições nas comunidades indígenas. Ao evento promovido pelo presidente da 3ª Zona Eleitoral, juiz Rodrigo Furlan, compareceram lideranças indígenas, o administrador da Funai e juízes de juntas apuradoras.
Dentre os convidados, não estava o representante do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Jacir de Souza. Em todos os sete municípios da 3ª Zona (Alto Alegre, Uiramutã, Normandia, Bonfim, Pacaraima, Amajari e Cantá) existem áreas indígenas. Em três deles (Pacaraima, Normandia e Uiramutã) ocorrem divergências conceituais por conta da demarcação das terras. Por isso, a justiça eleitoral quer prevenir ocorrências que possam, por exemplo, impedir o livre trânsito de eleitores.
De acordo com o juiz Furlan, foi a situação particular da 3ª Zona que o levou a pedir ao TRE a designação de juízes de direito para atuarem em cada um desses municípios como presidentes de juntas apuradoras. Magistrados designados para áreas onde há este tipo de conflito propuseram a reunião com as entidades representativas visando pacificar os conflitos e discutir ações que deixem o eleitor tranqüilo no dia 3 de outubro.
Pouco antes de iniciar a reunião o administrador regional da Funai, Benedito Rangel de Moraes, disse acreditar que o pleito transcorrerá normalmente. Para ele, a participação de vários candidatos índios na disputa por cargos de vereador, vice-prefeito e prefeito, causa empolgação em parte desse segmento da sociedade. "Para apaziguar eventuais conflitos manteremos plantão na sede do órgão e temos chefes de posto nas áreas indígenas. Estas pessoas estão orientadas para agir em caso de necessidade".
O presidente da junta de Uiramutã será o juiz Alcir Gursen De Miranda. Por acreditar nas lideranças indígenas, ele entende que o pleito será tranqüilo. "É mais fácil ter problemas com não índios. Fiz um trabalho na região do Uiramutã durante três anos, normalmente visito a região e nunca tive nenhum problema com os índios. Vou para o município domingo, 26, para conversar com os tuxauas, dizer o que vamos fazer lá e pedir autorização para entrar nas malocas", comentou.
O presidente da Sodiur, Silvestre Leocádio, também crê que as eleições serão tranqüilas. Conforme ele, a população indígena está inserida na política partidária e espera que seus candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador, sejam eleitos. Desta forma não vê porque complicar as coisas.
"Para mim, os acirramentos em comunidades indígenas são resultados de insuflação. O índio é cauteloso, às vezes se deixa influenciar, mas isso está acabando. Acho que esta eleição servirá de exemplo para outras que hão de vir. Eu mesmo pretendo disputar uma vaga de deputado estadual por entender que nós indígenas devemos estar na política para defender os nossos interesses", declarou Leocádio.
Durante o encontro foi ventilada a possibilidade de desentendimento na barreira feita por índios ligados ao CIR, na região da Pedra Branca. Mas o administrador da Funai ficou de manter contato com o coordenador do CIR, Jaci de Souza, visando desmobilizar a barreira entre os dias 1o e 4 de outubro.
Ao final da reunião, o juiz Rodrigo Furlan destacou que a meta da Justiça Eleitoral é viabilizar que o eleitor compareça aos locais de votação e lá com tranqüilidade escolha seus representantes para os quatro anos na administração e no parlamento municipais. "Como responsável pelas eleições na 3ª Zona estarei à disposição dos juízes, representantes da Funai, do CIR e da Sodiur para eventuais esclarecimentos", destacou.
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