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Justiça barra obra do Bosque Cidade Jardim

OESP, Metrópole, p. A16
14 de Jan de 2015

Justiça barra obra do Bosque Cidade Jardim
Condomínio está em área com remanescentes de Mata Atlântica; JHSF diz que não foi notificada e já cumpriu as exigências legais

Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A Justiça ordenou a paralisação das obras do Condomínio Bosque Cidade Jardim, às margens do Rio Pinheiros, no Morumbi, zona sul da capital. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), autor da ação, o empreendimento está em uma área de proteção ambiental, com remanescente de Mata Atlântica, árvores em extinção e ao redor de duas nascentes de água, canalizadas irregularmente.
A área de 48 mil m², que vale R$ 166 milhões, é da incorporadora JHSF. A empresa diz que "cumpriu todas as exigências feitas pelas autoridades".
O condomínio fica entre o Shopping Cidade Jardim e o Clube Paineiras do Morumby. Segundo a divulgação de resultados da construtora, o Bosque Cidade Jardim tem 33 terrenos, com preço médio de R$ 9.560 por metro quadrado. Até o fim do terceiro trimestre de 2014, restavam 13 áreas para venda.
Além da localização do condomínio, em região de alto padrão, o residencial também tem como diferencial um bosque com cerca de 12 mil m². É nele que a JHSF promete fazer pistas de cooper, trilhas para caminhada e área de ioga para os futuros moradores. A proteção desse bosque é um dos problemas que preocupam Luís Roberto de Proença, da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente do MPE, autor da denúncia.
Ao todo, o condomínio tem 49 espécies nativas da Mata Atlântica - três em extinção, de acordo com o parecer técnico do Ministério Público. Além de pedir a paralisação da obra, o promotor exigiu que a Justiça obrigasse a JHSF a manter a vegetação.
A decisão, em caráter liminar e passível de recurso, é do juiz da 13.ª Vara da Fazenda Pública, Alberto Alonso Muñoz, e vale desde o dia 8. O magistrado fixou uma multa diária de R$ 100 mil caso as intervenções continuem e de R$ 1 milhão por árvore do bosque retirada, caso seja constatada a remoção ou transplante das espécies da Mata Atlântica.
As associações de moradores do bairro comemoraram a decisão da Justiça. "Isso restaura a confiança da população nas instituições. Existem muitos projetos que contrariam a legislação ambiental", afirmou Francisca Stella Faga Alves, representante dos moradores do Real Parque, bairro no entorno do condomínio. Ela mora em uma rua paralela ao Bosque Cidade Jardim.
Mesmo com a decisão de suspender a construção, o canal de vendas da incorporadora continua fazendo atendimento para interessados em saber mais sobre o projeto. Em consulta feita pela reportagem, a resposta foi que os terrenos com tamanhos que variam entre 530 m² e 1.100 m² podem ser comprados normalmente. No entanto, os futuros donos terão de esperar até o fim de abril deste ano para começar a construir imóveis residenciais nos lotes.
Em dezembro, o Estado revelou que uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) constatou que outra reserva de Mata Atlântica nas margens do Rio Pinheiros, no Panamby, também no Morumbi, estava com a preservação ameaçada. Construtoras cavavam em volta das árvores, desestabilizando as plantas e ocasionando a queda delas.
Resposta. Procurada, a JHSF disse que "não foi notificada de nenhuma decisão liminar da Justiça" em relação ao empreendimento e cumpriu todas as exigências "feitas pelas autoridades competentes durante o processo de licenciamento". A empresa afirmou que tem os documentos que comprovam a "legalidade da obra". Ainda de acordo com a incorporadora, "a empresa adotará as medidas pertinentes" para defender seus direitos, caso seja notificada sobre a decisão.

Decisão cita crise da água e MPE fala em 'oasis'

Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O juiz Alberto Alonso Muñoz usou a severa estiagem que atinge os reservatórios de água da Grande São Paulo para justificar a decisão de paralisar as obras do Bosque Cidade Jardim. "Devo destacar que em épocas de 'crise hídrica' (eufemismo para racionamento de água), o descuido com a proteção ambiental é de tal gravidade que não pode ser tolerado. O que está em jogo é a vida de milhões de habitantes que vivem numa metrópole como São Paulo", alegou o magistrado, na decisão em caráter liminar.
A denúncia do MPE afirma que há duas nascentes e dois córregos canalizados de forma irregular no terreno. "Trata-se de um verdadeiro oásis em meio à avassaladora expansão das áreas construídas desta cidade", afirmou o promotor e autor da denúncia, Luís Roberto de Proença. O laudo do órgão aponta que a água nasce perto do Clube Paineiras do Morumby, desce para um córrego e segue para o Rio Pinheiros.
Helena Caldeira, presidente da Associação Morumbi Melhor, também condenou a canalização das nascentes. "São áreas de várzea, ricas em nascentes e isso tem de ser respeitado" disse. "Essa crise de água também é por falta de respeito à legislação e os órgãos públicos deveriam ser os primeiros a preservar isso. Estão secando os lençóis freáticos porque é tudo construído sobre eles."
Ela disse ainda que a margem da Marginal do Pinheiros onde está localizado o empreendimento, que fica no sentido Interlagos da via, é um dos poucos locais que levam oxigenação para dentro do rio. Isso porque, de acordo com ela, há vegetação da Mata Atlântica.

OESP, 14/01/2015, Metrópole, p. A16

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