JC net https://www.jcnet.com.br/
Autor: Thiago Navarro
14 de Set de 2018
A servidora pública Jupira Terena (PSOL) é candidata a deputada federal. Natural de Araçatuba, ela foi criada na Aldeia Kopenoti, em Avaí, na Reserva Indígena de Araribá, e trabalha na Fundação Nacional do Índio (Funai). Jupira foi candidata a vereadora em 2016, pelo DEM, mas decidiu mudar de partido, afirmando que buscou uma legenda com ideologia mais perto de suas propostas, que são voltadas para a mulher e os indígenas, mas envolvem políticas a toda a sociedade.
O que levou a senhora a ser candidata?
Eu sou da comunidade indígena Kopenoti, em Avaí. Vivi até meus 16 anos na aldeia, quando saí para trabalhar em busca de um mundo melhor. Venho, desde a infância, lutando e aprendendo os direitos do meu povo. Na época, a gente não sabia bem o que era o Serviço Nacional do Índio, que, depois, virou a Funai. Fui crescendo e acompanhando meu pai. Era uma assistente do meu pai na reserva, sempre cobrando um bom atendimento e que cumprisse os objetivos, a assistência ao povo indígena. Enfrentei preconceito e discriminação. Na escola, as pessoas viam o índio como selvagem, não como um elo de paz, mas como da violência. Os colegas da gente faziam brincadeiras na escola, são coisas que fui superando. Estudei no Preve Objetivo. O professor Duda Trevizani me ofereceu uma bolsa e foi uma pessoa que me ajudou muito. Em 1979, entrei na Funai, contra a vontade do meu pai, que achava que a entidade era contra os índios, mas eu precisava trabalhar já.
Quais serão suas principais áreas de atuação no País caso seja eleita deputada?
Em 1988, participei ativamente da discussão das propostas aos indígenas na Constituição. Eu me candidatei a vereadora, há dois anos, e a cidade precisa de um representante indígena em nível estadual e federal, porque sabemos no que precisamos participar. São muitos deputados ruralistas, que batem de frente e querem resolver as questões nos envolvendo. Além dos indígenas, eu quero defender o povo brasileiro. Estarei na ativa para cumprir o meu dever como parlamentar. Ainda temos as emendas parlamentares. Aprovar emendas para educação e saúde. Sem os recursos não conseguimos fazer nada. Se for parlamentar, quero fortalecer Bauru, há mais de 20 anos sem um deputado federal. E precisamos urgentemente. A saúde está um caos, é onde mais precisa. O povo está carente. Eu moro aqui e sei do que a nossa cidade mais precisa de um parlamentar. E, com isso, trazer os investimentos necessários.
A senhora defende as reformas tributária, trabalhista e da Previdência?
Eu sou a favor da reforma tributária, porque os ajustes devem ser correspondentes ao que a população espera. As pessoas que mais precisam estão pagando muito imposto. A gente quer lutar para diminuir a desigualdade social. E quem ganha menos deveria pagar menos, e quem ganha mais deve pagar mais, fazer a taxação de grandes fortunas. A classe trabalhadora hoje paga muito mais do que os ricos. As outras reformas só podem ser feitas se forem boas para os trabalhadores. Se for para prejudicar, fica como está.
Na região de Bauru, quais as prioridades?
Em Bauru, uma prioridade é a criação da aldeia urbana. O projeto já tem uns dez anos. O governo municipal precisaria ceder área e os recursos viriam do governo federal, através da Funai. A área precisa ser doada para a Funai e, com isso, haveria recursos para a saúde, educação, projetos sociais. O que nós pedimos é o espaço físico e, lá, conseguiríamos praticar a nossa cultura. Essa proposta é uma das que eu penso para a cidade. E a aprovação de emendas parlamentares, que eu repassaria para Bauru e região, priorizando a saúde e educação, porque só dá para avançar se houver recursos. Ouvir os prefeitos, a comunidade, para saber o que é mais prioritário. Isso seria o ideal. As políticas públicas da mulher, na área da saúde, estão nas prioridades, para combater a violência contra a mulher, mais acesso a médicos. Eu fui para o PSOL porque é um partido mais de esquerda, popular, não aprovou nenhum projeto do governo Temer (MDB), sem se envolver com corrupção. A gente deve estar em um partido dentro do que acreditamos
https://www.jcnet.com.br/Politica/2018/09/jupira-visa-lutar-por-mulhere…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.