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Juiz suspende demarcacao de reserva em RR

OESP, Nacional, p. A12
06 de Mar de 2004

Juiz suspende demarcação de reserva em RR
Decisão, criticada pela Funai, determina novo estudo antropológico na Raposa Serra do Sol

Roldão Arruda e Zequinha Neto
Especial para o Estado

O juiz Helder Girão Barreto, da 1.ª Vara Federal de Roraima, concedeu liminar suspendendo parte dos efeitos da portaria do Ministério da Justiça que demarcou a reserva indígena Raposa Serra do Sol, de 1,7 milhão de hectares. A decisão judicial atinge principalmente o artigo 5.o da portaria, segundo o qual a entrada e a permanência na reserva de pessoas estranhas aos grupos indígenas dependeria de licença das autoridades federais. Em Brasília, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o antropólogo Mércio Pereira Gomes, criticou a decisão. "O juiz se contradisse. No mesmo texto no qual diz que o assunto merece ser melhor estudado, ele se precipita e suspende os efeitos da portaria sobre os centros urbanos e rurais da reserva."
Além de suspender parte da portaria, o juiz determinou a formação de um grupo de cinco pessoas para a realização de mais um estudo antropológico sobre a demarcação em área contínua. O grupo, que ainda não tem data prevista para apresentar suas conclusões, é formado por um antropólogo, um geógrafo, um especialista em relações exteriores e um economista. Eles deverão responder às seguintes perguntas: Raposa Serra do Sol é terra indígena? Quais as conseqüências da demarcação em área contínua? E em área não contínua?
Fatos novos - O pedido de liminar foi apresentado pelos deputados Luciano Castro (PL-RR) e Suely Campos (PP-RR), pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR) e pelo índio tuxaua Caetano Raposo. Eles argumentaram que sugiram fatos novos após a decisão de 27 de novembro de 2002 do Superior Tribunal de Justiça (STF), que rejeitou o mandado de segurança do Estado de Roraima contra a demarcação da reserva.
O juiz citou no texto de sua decisão "a reação de índios e não índios ao prenúncio da concretização da forma de demarcação em área contínua", numa referência às manifestações ocorridas no Estado em janeiro, quando produtores rurais chegaram a fechar as vias de acesso à capital do Estado.
A Advocacia-Geral da União vai tentar derrubar a nova decisão judicial, que, segundo o presidente da Funai, pode agravar a situação na região. "Ela alimenta as expectativas das pessoas que estão ocupando áreas de reserva", disse Gomes. Para o Conselho Indígena de Roraima, existe o risco de violência contra os índios e de novas ocupações de má-fé.

OESP, 06/03/2004, Nacional, p. A12

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