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13 de Jul de 2014
Um rápido e eficiente serviço de investigação de policiais civis da Delegacia de Homicídios, através do delegado Lenoir Cunha, escrivão Flávio Trindade e investigadores Ricardo Moraes e Márcia Virtuoso, conseguiu, ainda dentro do flagrante, prender Eugênio da Silva Pantoja, de 31 anos, conhecido como "Perneta", participante da morte do líder quilombola Artêmio Amaral Gusmão, conhecido como "Alaor", no fim de semana passado. O crime ocorreu nos limites dos municípios do Acará com Tomé-Açu.
"Alaor" era coordenador da comunidade Massaranduba, que integra seis comunidades da Associação de Moradores e Agricultores Remanescentes de Quilombolas do Alto Acará, e, quando retornava do assentamento Calmaria I, foi assassinado a tiros e golpes de facão por pelo menos seis elementos.
O DIÁRIO acompanhou o trabalho dos policiais civis da Divisão de Homicídios acionados para se deslocar até o local do crime, uma área de difícil acesso depois de 74 quilômetros de estradas vicinais e caminhos percorridos a pé. Os policiais e peritos do Instituto de Criminalística conseguiram atravessar os obstáculos e fazer o levantamento de local de crime.
Com base em informações levantadas sobre quem poderia querer a morte de "Alaor", os policiais da Divisão de Homicídios chegaram até Eugênio, preso na vila do Ipitinga e conduzido até a capital do Estado, onde em depoimento entregou Rogério Pantoja dos Santos, o " Belo", e Atito Dias Gonçalves, o "Tito" ou "Lagarto", como autores intelectuais da morte do líder quilombola.
Segundo o delegado Lenoir, da Divisão de Homicídios, os assassinos estavam preparados para uma chacina no local, mirando mais quatro pessoas, todas da família Amaral, com quem os autores tinham uma rixa antiga por causa de um homicídio creditado à família de "Alaor".
O DIÁRIO acompanhou também o depoimento de Eugênio, que, depois de qualificado pelo escrivão Flávio Trindade, contou detalhes do bárbaro crime que vitimou Artêmio.
O criminoso disse que, na noite do crime, no dia 04 de julho passado, assistiu ao jogo Brasil e Colômbia na casa de um amigo e, por volta das 21h, quando se deslocava para sua residência, no Ipitinga, ao se aproximar de uma ponte, avistou "Tito", seu irmão Rogério e mais dois homens conhecidos como "Chapada" e Alessandro.
Após andar alguns metros, ouviu disparos de arma de fogo e, ao olhar para trás, viu "Tito" efetuar mais dois tiros, enquanto "Chapada" cortava a vítima com um facão, jogando às margens do igarapé Ipitinga. "Eu saí correndo no rumo de casa, mas fui seguido pelo meu irmão Rogério, que me convidou para ajudar a exterminar o restante da família do Alaor", disse Eugênio.
Ele teria voltado à cena do crime e atirado três vezes com a vítima praticamente morta, sendo a arma, uma espingarda calibre 28, fornecida por "Tito". Depois deste momento, todos seguiram rumos diferentes. No entanto, o mais horrendo aconteceu pela manhã, quando Eugênio e "Chapada" foram comer uma carne assada na brasa utilizando o facão usado para degolar a vítima. O facão foi batizado por "Chapada" de "facão Artêmio".
Questionado sobre a rixa na comunidade quilombola, Eugênio disse que um homem conhecido como Ademir, irmão de Artêmio, havia sido pago para matar "Tito", que soube do fato e se adiantou para matar quem tinha encomendado sua morte.
Outra querela entre as famílias aconteceu no dia 19 de janeiro de 2012, quando "Tito" foi alvejado pelo irmão da vítima identificado como Ademir. "Tito" já esteve preso por tentativa de homicídio e cumpriu cinco anos preso.
De posse dessas informações privilegiadas, o delegado Lenoir Cunha solicitou na justiça a prisão preventiva de Rogério Pantoja dos Santos, o "Belo", e Atito Dias Gonçalves, o "Tito" ou "Lagarto", além de Eugênio da Silva Pantoja, todos concedidos pela justiça no fim da tarde desta sexta-feira (11).
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