CIR-Boa Vista-RR
05 de Jun de 2003
A jovem macuxi, Renildes Pereira da Silva, 20 anos, procurou o Conselho Indígena de Roraima- CIR, para denunciar foi abandonada após a gravidez pelo soldado conhecido por Ronaldo que prestou serviço no 6o Pelotão Especial de fronteiras do Uiramutã. Ela garante que Deivison Roni, nascido em 28 de abril de 2003, é fruto de um relacionamento amoroso que teve com o militar enquanto este esteve baseado naquela unidade militar.
Depois de dois anos, as conseqüências negativas da construção do 6o Pelotão Especial de Fronteira, em Uiramutã vêm à tona. Desde o começo da construção, o Conselho Indígena de Roraima denuncia que a presença do Pelotão favorece o consumo de bebida alcoólica e a prostituição.
Renildes conta que conheceu o soldado, no mês de julho de 2002, durante uma festa no "Malocão do Grajuí", local onde os moradores não-índios de Uiramutã organizam festejos nos fins-de-semana. "Ele me ofereceu vinho e cachaça 51, mas no primeiro encontro não bebi nada, mas depois começamos a beber juntos. Sempre que nos encontrávamos ele 'estava bebido'".
A jovem explica que os soldados permanecem apenas um mês no Pelotão e depois retornam para Boa Vista. No mês de outubro, quando ele retornou ao quartel o casal continuou o namoro até ela descobrir que estava grávida. "Depois que falei que estava grávida ele não quis mais falar comigo, disse que não era o pai e foi embora. O 'comandante' disse que ele tinha sido transferido para o Surucucus".
Ela relata como as jovens são envolvidas em relacionamento amoroso com os militares: "Os soldados só iludem as meninas, falam coisas bonitas, prometem assumir possível gravidez, depois vão embora e não assumem os filhos", denuncia Renildes. Acrescenta ainda, que outras amigas caíram na mesma cilada, acreditaram em palavras bonitas, ficaram grávidas e depois foram abandonadas. "Hoje sou uma pessoa triste, sem condição de viver. Preciso de alguém para dividir a responsabilidade", desabafa.
As lideranças indígenas já tinham essa preocupação do impacto do quartel dentro da terra indígena. Temiam futuros problemas relacionados com bebidas alcoólicas e abuso sexual e hoje isso está sendo concretizado. A assessoria jurídica do CIR encaminhou a denúncia ao Ministério Público Federal pedindo providências. A jovem denunciante está disposta a fazer o exame de DNA. Os Procuradores da República se comprometeram de encaminhar o pedido de inquérito penal na Polícia Federal (PF) e a investigação de paternidade no Ministério Público Estadual (MPE).
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