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Jirau negocia suspensão de compra de energia

OESP, Economia, p. B10
11 de Set de 2013

Jirau negocia suspensão de compra de energia
Com atraso nas obras, hidrelétrica precisa comprar no mercado à vista a energia que, em tese, já teria de fornecer ao sistema elétrico

Wellington Bahnemann / RIO

Para minimizar perdas calculadas em R$ 400 milhões este ano, decorrentes da necessidade de compra de energia para compensar o atraso nas obras da hidrelétrica de Jirau (RO), a concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR) discute com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a dispensa da exigência de compra de energia no mercado de curto prazo em agosto, setembro e outubro.
O argumento é de que, como também a linha de transmissão do Rio Madeira, construída pela Eletrobras e a Cteep, está atrasada, as turbinas da usina não precisariam estar em operação.
"A linha de transmissão deve estar operacional entre o fim de outubro e início de novembro", comentou o presidente da ESBR, Victor Paranhos, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A tese da companhia se baseia na manifestação do diretor da Aneel Edvaldo Santana, em seu voto sobre a análise para alteração no cronograma de implantação de Jirau, pleiteado pela empresa.
Segundo Santana, as turbinas atrasadas devem entrar em operação imediatamente quando a linha do Rio Madeira estiver pronta. Paranhos afirmou que a companhia aguarda um posicionamento mais claro do órgão regulador sobre a questão. Na época do voto, no início de junho passado, a linha estava prevista para entrar em operação comercial em 1o de julho, o que não se concretizou.
Em tese, a ESBR teria de comprar energia no mercado spot (à vista) para substituir a oferta não entregue por Jirau e cumprir os contratos comas distribuidoras. Mas, como a linha do Madeira não está pronta, a ESBR argumenta que estaria desobrigada de cumprir a exigência. Se prevalecer esse entendimento, as perda da empresa no mercado spot seriam minimizadas. "Isso melhora um pouco a situação", disse Paranhos. A ESBR tem como acionistas a GDFSuez (40%) - controladora da Tractebel -, a Mitsui (20%), a Eletrosul (20%) e a Chesf (20%).
O contrato original de concessão de Jirau previa que as duas primeiras turbinas entrassem em operação em 1o de janeiro de 2013. Contudo, atrasos na obtenção da licença de instalação, greves e incêndios no canteiro de obras em 2011 e 2012 e embargos dos equipamentos pela Receita Federal comprometeram o prazo de construção da usina.
"Tínhamos 56 meses para executar as obras, mas esse prazo foi afetado pelas paralisações", disse o executivo. Por conta disso, a companhia entrou com recurso em novembro de 2012 na Aneel para alterar o cronograma de implantação do empreendimento. A ESBR solicitou o chamado "excludente de responsabilidade", ou seja, o período em que as obras estiveram paradas por fatores alheios à concessionária.

Contagem
De acordo com a ESBR, as greves, os atos de vandalismo nos canteiros e os problemas com a Receita Federal interromperam as obras da Hidrelétrica de Jirau por 334 dias

OESP, 11/09/2013, Economia, p. B10

http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios-geral,jirau-pede-a-ane…

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