OESP, Notas e Informacoes, p.A3
12 de Out de 2004
Investimentos em gás
Novos e vultosos investimentos estão sendo feitos, em todo o mundo, na produção, distribuição ou direitos de acesso a jazidas de gás natural.
Esta é uma conseqüência tanto das pressões sobre o preço do petróleo - influenciando as estruturas de custos das companhias energéticas - como da necessidade estratégica de dispor de alternativas que assegurem a oferta de energia indispensável para manter o ritmo de crescimento das economias.
Reportagem de Russel Gold, do Wall Street Journal, publicada pelo Estado, analisa algumas das maiores operações envolvendo gás natural realizadas, neste ano, por grupos energéticos multinacionais. Em janeiro, a Arábia Saudita concedeu à empresa russa Lukoil direitos de exploração e produção de gás natural no maior campo de petróleo do mundo, em Ghawar. Em fevereiro, a Total contratou a construção de uma unidade de gás natural liquefeito e de exportação no Irã, antes de ter pago, no mês passado, US$ 1 bilhão por 25% da companhia russa Novatek. Em julho, a Exxon Mobil fechou uma operação de US$ 7 bilhões com o Catar para desenvolver um projeto de liquefação de gás natural.
O interesse pelo gás natural tem motivos bem fundamentados. Entre 1998 e 2003, o consumo de gás natural aumentou 13,2%, quase o dobro dos 7% de aumento do consumo de petróleo. "Sabemos que estamos no limite em termos de oferta (global) de petróleo, mas há um excedente de gás", afirmou John Parry, analista da empresa de pesquisa John S. Herold, de Connecticut, nos Estados Unidos. Mantido o consumo atual, a duração das reservas de gás é estimada entre 60 e 67 anos, contra 36 a 42 anos de petróleo, segundo o Wall Street Journal.
O gás natural abastece usinas térmicas, residências, empresas que o utilizam em co-geração (tanto para gerar eletricidade como ar frio, condicionado) ou veículos, como caminhões, ônibus e automóveis, caso do Brasil.
Como seu transporte é mais difícil e mais caro (por gasodutos ou sob a forma líquida, como gás natural liquefeito), quanto mais próximas estiverem as jazidas de gás, melhor para os consumidores, que pagarão preço menor. Como as maiores jazidas de gás natural do mundo (36% do total) estão na Rússia, este país responde por 44% de todo o abastecimento dos 25 países da União Européia. Uma única empresa, a Gazprom, domina aproximadamente um terço das reservas mundiais de gás natural e 90% da produção russa, tendo faturado US$ 26,7 bilhões, em 2003.
O gás natural liquefeito, transportado por navios de grande calado, já é visto como uma das principais alternativas de matéria-prima energética pelos especialistas da Royal Dutch/Shell, podendo superar o petróleo como a mais importante fonte de energia até 2025, segundo a revista Business Week.
A importância do gás natural já foi percebida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), no Brasil. Mas só aos poucos as empresas brasileiras investem em projetos de co-geração, como Corn Products, Equipav, AmBev, Coca-Cola e Crisciumal. Os projetos de geração térmica seguem em ritmo lento porque a energia hidrelétrica tem custo menor - e, por ora, está sobrando. Mas o custo do gás natural no Brasil tende a cair. Isto poderá ocorrer quando forem negociados os preços da matéria-prima que chega pelo Gasoduto Bolívia-Brasil e quando for iniciada em 2008 ou 2009 a extração do gás da Bacia de Santos, próxima do grande centro consumidor, São Paulo.
OESP, 12/10/2004, p. A3
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