OESP, Negócios, p. B14
07 de Mai de 2010
Investimento da Vale na Guiné chega a US$ 5 bi
Empresa se queixa da burocracia para ampliar projetos de mineração no Brasil
Chiara Quintão e Natalia Gómez
A Vale vai investir US$ 5 bilhões, em prazo não determinado, para acelerar o projeto de minério da ferro da companhia na Guiné, na África. A cifra representa quase 40% de todo o investimento recorde programado pela mineradora para ser aplicado este ano. A intenção de priorizar os negócios no exterior tem como pano de fundo a demora na obtenção de licenças ambientais no Brasil.
Segundo o diretor executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, o atraso na ampliação do Complexo de Carajás, no Pará, já dura dois anos, enquanto o projeto de Serra Sul tem atraso de um ano. Com o orçamento de US$ 5 bilhões destinado a Simandou, na Guiné, a companhia acredita que pode chegar a uma capacidade de extração de 50 milhões de toneladas de minério de ferro em 2014. O ativo foi adquirido pela Vale no final de abril.
"A implementação de Simandou poderá ser mais rápida", afirmou em teleconferência com analistas. Martins acredita que a produção africana garante a meta da companhia de atingir a marca de 450 milhões de toneladas produzidas em 2014.
A companhia negocia com o governo da Libéria a possibilidade de construir uma nova ferrovia e um porto para o escoamento da produção. O projeto de Simandou é o primeiro investimento em minério de ferro da Vale fora do Brasil.
De acordo com o executivo, esse projeto sempre esteve no radar da Vale, por causa do seu grande porte e da elevada concentração de ferro no minério, que é de 66% - similar à encontrada no minério extraído de Carajás. Ele afirmou que a Vale "chegou tarde" na região, onde seus competidores atuam há mais tempo.
De olho na forte demanda mundial por insumos básicos, a empresa decidir elevar a expansão de Carajás para 20 milhões de toneladas, programado originalmente para aumentar em 10 milhões de toneladas a produção. Segundo ele, o plano inicial era fazer uma expansão de 30 milhões de toneladas em uma nova área, mas por causa da demora para obtenção de licenças ambientais, a empresa optou por reforçar a produção em uma área já explorada.
Preços. Durante a teleconferência, o executivo afirmou ainda que a companhia está aberta a negociar outros indicadores pra reajustar o preço do minério de ferro. "Estamos abertos, não estamos impondo nenhuma negociação", disse. Segundo ele, a Vale já fechou 100% das vendas do primeiro trimestre com o novo sistema de preços. "Nosso compromisso com o benchmark (preço de referência para os contratos de fornecimento de longo prazo) acabou", afirmou. Para Martins, com a maturação do modelo, os clientes vão se sentir mais confortáveis com o novo modelo de precificação, que dará flexibilidade e transparência ao setor.
Conforme Martins, a mudança no sistema de precificação resultou da maior participação da China no comércio transoceânico de minério de ferro e do aumento de preços no mercado à vista (spot) chinês. "Não podíamos mais usar o sistema do passado", afirmou.
Impostos
As mudanças tributárias planejadas pela Austrália para a mineração preocupam a Vale. O governo pretende introduzir um imposto de 40% sobre os lucros do setor, acima de um certo teto.
OESP, 07/05/2010, Negócios, p. B14
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100507/not_imp548298,0.php
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